Caso Henry Borel: Jairinho e Monique começam a ser julgados pela morte do menino
O Tribunal do Júri começa a julgar, nesta segunda-feira, os acusados pela morte de Henry Borel, de 4 anos, ocorrida em março de 2021. O ex-vereador e então padrasto do menino, Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, responde por homicídio triplamente qualificado, tortura e coação. Já Monique Medeiros, mãe de Henry, será julgada por homicídio por omissão, tortura e coação. As investigações sobre a morte da criança apontaram que Henry teria sido submetido a sucessivos episódios de violência antes de chegar morto ao hospital. Laudos do Instituto Médico-Legal identificaram múltiplas lesões e hemorragia interna, enquanto a polícia reuniu depoimentos e mensagens que indicariam um histórico de agressões anteriores.
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Hoje, o processo volta ao centro do debate jurídico com o início do julgamento pelo tribunal do júri. O pai do menino, Leniel Borel, afirma viver uma “batalha permanente”:
— É muito duro para um pai perceber que já há mais tempo de batalha por Justiça do que tempo de vida do próprio Henry. Nenhum pai deveria precisar implorar para que os responsáveis pela morte do filho sejam julgados.
Ao longo da tramitação, as defesas dos acusados apresentaram sucessivos recursos, habeas corpus e alegações de nulidades processuais em diferentes instâncias. Em linhas gerais, porém, o Judiciário manteve os principais marcos da ação penal, incluindo a decisão que submeteu os réus ao Tribunal do Júri.
Quem é Jairinho
Com base eleitoral na Zona Oeste, o ex-vereador entrou na política em 2004, aos 27 anos, herdando os passos eleitorais do pai, o então deputado Coronel Jairo, sendo o candidato mais votado do Partido Social Cristão (PSC) para a Câmara do Rio. No mesmo ano, se formou em medicina pela Unigranrio mas optou por seguir a carreira na política. Ele chegou a ser líder do ex-prefeito Marcelo Crivella no legislativo.
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Em depoimento na 16 DP (Barra da Tijuca), dias depois da morte do enteado Henry Borel, em 8 de março de 2021, ele disse que não tentou fazer massagem cardíaca no menino antes de levá-lo para o hospital por falta de experiência. À polícia, disse que a última vez que realizou o procedimento foi em um boneco, durante as aulas do curso de graduação.
Um dos motivos para ele ser acusado de coação foi o depoimento de um alto executivo da área de saúde, que foi contatado por Jairinho para tentar impedir que o corpo do menino fosse encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde foram atestadas as agressões.
Quem é Monique
Monique Medeiros, a mãe de Henry Borel, está presa preventivamente no Complexo Penitenciário de Gericinó, a exemplo do ex-vereador Jairinho. Ela chegou a ser liberada para responder o processo em liberdade, em agosto de 2022 por decisão do Superior Tribunal de Justiça STF). Mas voltou a ser presa depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, em julho de 2023, ao analisar um recurso dos advogados do Leniel Borel, pai da criança.
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Monique conheceu Leniel Borel, pai de Henry Borel no fim de 2011, quando os dois comemoravam o aniversário de uma amiga, no restaurante Faenza, na Barra da Tijuca. Formada em Letras (Português e Literatura), tinha sido recém-aprovada em um concurso para professora da prefeitura do Rio. Em dezembro de 2012, quando já moravam juntos, os dois se casaram. Com os anos, o relacionamento esfriou porque Leniel arrumou um emprego em Macaé e só retornava para a casa no Recreio nos fins de semana. Eles se separaram em julho de 2020 e ela voltou a morar com a mãe em Bangu.
Em agosto de 2020, Monique conheceu Jairinho em um almoço profissional no Shopping Village Mall, na Barra. Em outubro, quando já haviam saído algumas vezes juntos, começaram a namorar. Um mês depois, o ex-vereador convidou ela e o filho para os três morarem juntos em um apartamento no condomínio Majestic, no Cidade Jardim.
Em janeiro de 2021, quando ja vivia com Jairinho, ela foi nomeada assessora do Tribunal de Contas do município, onde passou a ganhar mais. Antes, na condição de diretora da Escola Municipal Ariena Vianna da Silva, em Senador Camará, ganhava cerca de R$ 4,5 mil. No TCM, onde foi exonerada após a prisão, o salário era de R$ 12.177,04.
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