Caso Gritzbach: Ministério Público pede condenação de sete policiais ligados ao PCC por lavagem de dinheiro

Caso Gritzbach: Ministério Público pede condenação de sete policiais ligados ao PCC por lavagem de dinheiro

Fonte: Bandeira



Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em São Paulo, pediram nesta quarta-feira a condenação de 11 pessoas, das quais 7 são policiais civis, por elo com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os acusados, mencionados num documento que o Ministério Público despachou no dia 20 de maio, estavam na mesma trama de crimes que envolvia o empresário Vinicius Gritzbach, assassinado quando colaborava com a polícia como delator do esquema.

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Entre os crimes imputados aos acusados estão os de organização criminosa, lavagem de dinheiro, usura (agiotagem e extorsão), corrupção (suborno) e tráfico de drogas. Denunciados em fevereiro de 2025, os réus foram investigados no âmbito da operação Tacitus, realizada três meses antes, poucas semanas após a morte de Gritzbach.

A ação foi baseada em informações fornecidas pelo empresário, que estava jurado de morte e foi morto à luz do dia na rua em frente a um terminal de desembarque no Aerporto Internacional de Guarulhos.

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"Além das condenações criminais, o Ministério Público requereu a decretação da perda dos cargos públicos dos policiais denunciados e o pagamento de, no mínimo, R$ 40 milhões por acusado, a título de ressarcimento por dano moral coletivo e dano social, em razão dos prejuízos causados à administração pública, à segurança pública e à sociedade", afirmou hoje o Gaeco em nota.

Os policias civis acusados são: o delegado Fabio Baena Martin; os investigadores Eduardo Lopes Monteiro, Marcelo Marques de Souza, Marcelo Roberto Ruggieri e Rogerio de Almeida Felicio; e os agentes Valmir Pinheiro e Valdenir Paulo de Almeida.

Os acusados não policiais são: os empresários Ademir Pereira de Andrade e Robinson Granger de Moura; o advogado Ahmed Hassan Saleh; e a esposa de um dos policiais, Danielle Bezerra dos Santos.

O Gaeco pede que alguns dos réus sejam condenados parcialmente, porque nem todos se envolveram em todas as categorias de crimes listados. O que cada um deles praticou está descrito em detalhes no documento enviado à justiça, um memorial com mais de 300 páginas contendo trocas de mensagens, depoimentos e outros elementos de prova.

A operação teve enfoque principalmente em esquemas para transferência de grande soma de dinheiro e bens.

"As apurações identificaram movimentações milionárias, aquisição dissimulada de imóveis de alto padrão, uso de empresas de fachada e ocultação patrimonial em benefício de integrantes da facção criminosa", afirmou o Gaeco.

Os promotores detalham também como cada policial se envolveu no esquema

"Policiais civis denunciados teriam exercido papel estratégico para a organização criminosa, utilizando as funções públicas para favorecer integrantes da facção, garantir proteção às atividades ilícitas e obter vantagens indevidas", dizem os promotores. "Entre os fatos narrados estão suspeitas de solicitação de propina, recebimento de presentes de alto valor e apropriação de relógios de luxo durante o cumprimento de mandados judiciais."

O trabalho de tribunal após a operação policial foi longo. "No curso da instrução, foram realizadas 13 audiências, em que foram ouvidas quatro testemunhas comuns, cerca de 60 testemunhas arroladas pelas defesas e uma testemunha do juízo, sendo interrogados 13 réus", informa o documento.

O Ministério Público e os advogados de defesa têm agora 40 dias para apresentar suas considerações finais à Justiça antes da sentença.