O que era um sonho para a empresária Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, terminou em uma tragédia para a família.
A jovem morreu no dia 8 de agosto, um dia após passar por procedimentos de cirurgia plástica em um hospital de Belém.
Nesta segunda-feira (31), o laudo oficial de necropsia apontou choque hemorrágico associado a uma síndrome compartimental abdominal como causas da morte.
Primo de Giovanna, o empresário Francisco Wanderley Souza Nery Júnior afirmou que ela trabalhou para conseguir realizar o procedimento e lamentou que o sonho tenha terminado com a morte da empresária.
“Foi um sonho dela.
A Giovana trabalhou muito para conquistar esse sonho dela, que virou pesadelo”, afirmou.
O documento, elaborado pelo Instituto Médico Legal (IML), passou a integrar formalmente os autos da investigação e foi obtido pela reportagem de O Liberal.
Segundo o laudo, a causa da morte foi um choque circulatório irreversível, decorrente da associação de dois fatores principais no período pós-cirúrgico.
O primeiro foi um choque hemorrágico provocado por uma grave hemorragia pós-operatória nos planos teciduais da parede abdominal, com presença de coágulos e hematomas.
O segundo fator apontado foi a síndrome compartimental abdominal, caracterizada pelo aumento crítico da pressão dentro da cavidade abdominal.
O documento também descreve edema traumático e acúmulo de sangue e hematomas na região.
Família diz que laudo confirma suspeitas
A família recebeu o laudo nesta segunda-feira.
Para Francisco, o documento confirma suspeitas levantadas pelos parentes desde o início da investigação sobre as circunstâncias da morte.
“Foi uma prova documental do que a gente já sabia que ia acontecer.
(...) O laudo só veio para mostrar: olha, realmente é isso mesmo.
Realmente foi o que vocês tinham de certeza, agora a certeza foi comprovada”, afirmou.
Segundo o primo, a família questiona principalmente o acompanhamento médico recebido por Giovanna depois da cirurgia.
Ele afirma que a empresária começou a apresentar dores e outros sinais ainda no período pós-operatório e que não teria recebido a assistência que, na avaliação dos familiares, seria necessária.
Francisco também afirma que o cirurgião plástico André Melo, responsável pelo procedimento, não teria acompanhado Giovanna após a cirurgia.
“É inadmissível você pagar um procedimento médico e não ter um pós-operatório, e não ter um acompanhamento depois da sua cirurgia”, declarou.
O empresário afirma ainda que Giovanna teria relatado dores à clínica por volta das 23h e enviado um áudio, mas, segundo ele, não recebeu acompanhamento médico nas horas seguintes.
A família também questiona a ausência de exames que, na avaliação dos parentes, poderiam ter identificado a perda de sangue.
Família cobra responsabilização
Para Francisco, o caso representa uma sequência de situações que precisam ser esclarecidas pelas autoridades.
A família afirma que pretende cobrar a responsabilização de todos os envolvidos caso sejam identificadas irregularidades.
“A gente quer que todos os envolvidos assumam a sua responsabilidade.
(...) A gente quer que todos os envolvidos que têm as suas culpas comprovadas sejam punidos”, afirmou.
Para o primo, a morte de Giovanna deixou uma família destruída e poderia ter sido evitada caso ela tivesse recebido o atendimento necessário.
“Foi uma vida que se perdeu.
Uma vida de uma jovem que estava lá em busca de um sonho.
De ficar mais bonita”, disse.
A reportagem do Grupo Liberal tenta contato com a defesa do médico André Melo, para ouvir a sua versão sobre os fatos.
O espaço segue aberto.
