Caso Epstein tem custado capital político a Trump, avalia especialista
A divulgação de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein provocou repercussão nos Estados Unidos e reacendeu o debate sobre crimes sexuais envolvendo figuras influentes da elite política e econômica. O material gerou questionamentos sobre sua legalidade, veracidade e sobre a proteção das vítimas citadas nos arquivos.
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Em entrevista ao Jornal da CBN, Ana Carolina Marzon, professora de Relações Internacionais da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), destacou que parte da documentação foi divulgada sem os cuidados necessários.
"É um volume gigantesco de informações de crimes de cunho sexual. Temos violações de uma série de pessoas, então muitas dessas documentações acabaram sendo divulgadas sem preservar as vítimas."
Segundo a professora, a menção a nomes poderosos revela a extensão da influência de Epstein, mas ainda não se sabe quais arquivos são autênticos nem qual foi o envolvimento de cada pessoa. Entre os citados estão o ex-príncipe Andrew e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"Temos uma série de incertezas. Não sabemos quais documentos são verídicos, quais não são e qual é o nível de participação de cada um. Porém, só o fato de algumas pessoas estarem citadas já nos indica o tamanho da influência que Epstein tinha e como ele agia nas altas esferas."
A especialista ainda ressaltou que escândalos envolvendo figuras públicas de alto escalão, como esse, geralmente causam impactos significativos. No caso de Trump, as menções tem causado desgaste político.
"Isso vem custando a ele capital político. Donald Trump, apesar de não ser comprovada a veracidade desses documentos, eles são um golpe político para Trump. Nós sabemos que qualquer escândalo para figuras políticas é bastante complicado e um escândalo do nível como do Epstein é um golpe muito duro para as figuras envolvidas."
Para Ana Carolina Marzon, o caso Epstein ainda está longe de ser totalmente esclarecido, já que milhões de documentos divulgados não tiveram sua veracidade confirmada, o que impede conclusões sobre o envolvimento de outros citados além de Epstein e sua ex-companheira.
