Caso Epstein: quem é brasileiro marido de ex-embaixador britânico nos EUA preso por 'má conduta em cargo público'

 

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A polícia britânica prendeu nesta segunda-feira Peter Mandelson — ex-embaixador do Reino Unido em Washington e um dos principais articuladores do governo do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair — por implicações nos arquivos do financista Jeffrey Epstein. Segundo a Polícia Metropolitana de Londres, a detenção está relacionada com o mesmo crime do qual é acusado o ex-príncipe Andrew: má conduta em cargos públicos.

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Segundo documentos do caso Jeffrey Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos em janeiro, o falecido criminoso sexual enviou £ 10.000 (cerca de R$ 69,8 mil, na cotação atual) em transferências bancárias para o marido de Mandelson, o brasileiro Reinaldo Avila da Silva. Os dados publicados mostram Avila enviou um e-mail para Epstein em 7 de setembro de 2009, cerca de dois meses após Epstein cumprir uma pena de 13 meses em regime semiaberto, pedindo uma ajuda financeira.

No e-mail, Reinaldo detalha os custos de um curso de osteopatia, fornece seus dados bancários e agradece ao financista por "qualquer ajuda que você possa me dar". Epstein responde algumas horas depois, dizendo que transferiria o valor do empréstimo. No dia seguinte, o brasileiro, que se casou com lorde britânico em 2023 após um relacionamento de 30 anos, responde com um agradecimento.

"Enviei-lhe alguns e-mails na semana passada sobre as despesas do meu curso de osteopatia, incluindo taxas, modelos anatômicos e laptop, caso possa me ajudar com isso. Espero que os tenha recebido", escreveu Reinaldo a Epstein, à época.

Em abril de 2010, Reinaldo enviou outra mensagem a Epstein, compartilhando seus dados bancários, conforme mostram os novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA. Epstein, de acordo com o Financial Times, encaminhou o e-mail para seu contador, acrescentando: "envie 13 mil dólares".

Em correspondências subsequentes, Epstein instrui seu contador, Rich Kahn, a "enviar 2 mil dólares por mês para Reinaldo". Kahn, então, pergunta se isso é "além dos 13 mil dólares" e confirma se a moeda é dólares americanos. Epstein responde que "após repensar, envie apenas 4 mil dólares".

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Em setembro do ano passado, uma pessoa próxima a Mandelson ouvida pelo Financial Times afirmou que "não havia nenhum relacionamento" entre Reinaldo e Epstein, e que os dois não se davam bem. Essa pessoa negou que Mandelson tivesse recebido dinheiro de Epstein, seja diretamente ou por meio de seu marido.

Epstein e o lorde

Os documentos mais recentes levantaram novas questões sobre a relação de Epstein com Mandelson, que foi demitido do cargo de embaixador do Reino Unido em Washington quando detalhes de seu apoio ao financista vieram à tona, em setembro do ano passado.

Em outro conjunto de e-mails, o lorde Mandelson pede para se hospedar em uma das propriedades de Epstein. Essas mensagens são de 16 de junho de 2009, quando Epstein ainda cumpria pena de 13 meses por aliciar uma menor para prostituição. Durante grande parte de sua sentença, o financista tinha permissão para trabalhar em seu escritório durante o dia e retornava à prisão todas as noites.

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Mandelson afirmou repetidas vezes que se arrepende de sua amizade com Epstein e que nunca presenciou nenhuma irregularidade, mas "acreditou em suas mentiras". Ele chegou a pedir desculpas, durante o programa Newsnight, às vítimas de Epstein.

Ainda de acordo com o Financial Times, os e-mails divulgados pelo Departamento de Justiça revelam outros aspectos da relação entre Mandelson e Epstein, incluindo o político britânico pedindo conselhos sobre a compra de um apartamento no Brasil.

Em março de 2011, quando Mandelson dirigia a Global Counsel, uma empresa de consultoria londrina, ele escreveu ao financista sobre um esquema para minimizar impostos, que envolvia a criação de uma empresa offshore no Panamá que faria parceria com uma nova empresa brasileira administrada por Reinaldo.