Caso Epstein: Novos documentos revelam ligações da família real da Noruega com criminoso

 

Fonte:


Novos documentos relacionados ao escândalo de Jeffrey Epstein, com mais de três milhões divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA na última sexta-feira (30), revelaram o envolvimento de membros proeminentes da elite da Noruega, incluindo a princesa herdeira do país. Foram encontrados mais de 100 e-mails amistosos entre Mette-Marit e Epstein após ele ter sido considerado culpado de crimes sexuais contra crianças em 2008.

Caso Epstein: Veja os principais pontos sobre as 3 milhões de páginas de arquivos que citam Trump, Musk, ex-príncipe e brasileiro

'Abominável': Nova leva de documentos do caso Epstein expõe nomes e imagens de vítimas de abusos

Pessoas próximas à coroa norueguesa também aparecem nos novos documentos liberados. Entre eles está Thorbjorn Jagland, primeiro-ministro da Noruega nos anos 1990, que mais tarde presidiu o comitê responsável pela concessão do Prêmio Nobel da Paz e ainda atuou como secretário-geral do Conselho da Europa por 10 anos. E-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram que ele planejou férias em família em uma ilha pertencente a Epstein em 2014.

No último sábado, dia seguinte após a liberação dos documentos, Mette-Marit pediu desculpas por manter contato com Jeffrey Epstein, dizendo que agiu com falta de bom senso. O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Stoere, concordou com ela.

— Estou usando as próprias palavras dela. Ela diz que demonstrou falta de bom senso. Concordo e acho importante dizer isso quando me pedem minha opinião sobre o assunto — disse Stoere aos repórteres.

Ex-príncipe Andrew 'deve estar preparado' para depor, diz primeiro-ministro britânico após nova acusação no caso Epstein

O primeiro-ministro acrescentou que Mette-Marit e outros noruegueses proeminentes que foram mencionados nos documentos mais recentes sobre Epstein, incluindo os diplomatas mais importantes do país, deveriam fornecer mais detalhes sobre seu envolvimento com o bilionário.

Outros nomes noruegueses que aparecem na nova leva de documentos liberados. Terje Rod-Larsen e Mona Juul, um casal que talvez seja o mais famoso corpo diplomático do país por ter ajudado a intermediar os Acordos de Oslo entre Israel e Palestina, também tiveram vínculos com Epstein. Seus filhos estavam entre os beneficiários do testamento do bilionário e criminoso, segundo os documentos.

Jeffrey Epstein morreu em 2019, enquanto aguardava julgamento, mas suas ligações com o jet-set global e a longa lista de acusações de abuso e tráfico humano há mais de uma década servem de combustível para discursos políticos e teorias da conspiração. Em 2024, o então candidato à Presidência Donald Trump prometeu divulgar uma suposta lista de clientes do financista, sugerindo que nomes como os dos ex-presidentes democratas Bill Clinton e Barack Obama estariam ali.

Caso Epstein: Saiba quem é Reinaldo da Silva, o brasileiro para quem o financista enviou mais de R$ 70 mil

Uma vez eleito, Bondi sinalizou que poderia divulgar a tal lista, cuja existência era questionada até pelos advogados que representaram Epstein e Maxwell. Meses depois, o FBI, a polícia federal americana, reconheceu que a lista não existia. Para alguns republicanos, que também usaram o caso Epstein como plataforma política, a explicação não foi suficiente, e eles começaram a pressionar a Casa Branca pela divulgação de todos os documentos do processo.

A pressão interna, apoiada pela oposição democrata, ameaçou votações importantes, e culminou com a aprovação de uma lei exigindo a derrubada de sigilo. Trump queria abafar o caso, mas foi obrigado a ceder e sancionar o texto. Apesar de não trazerem (até o momento) elementos concretos que possam levar a novas condenações, os mais de 3 milhões de documentos serviram para jogar luz sobre a proximidade de Epstein com o núcleo de poder global. Entre os citados estão ex-presidentes, ex-primeiros-ministros, CEOs e outras pessoas influentes em suas áreas de atuação.