Caso Epstein: Novos documentos indicam que ex-príncipe Andrew convidou o financista ao Palácio de Buckingham

 

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O ex-príncipe Andrew, irmão do rei Charles III, convidou o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein ao Palácio de Buckingham, em Londres, logo após o financista ser liberado da prisão domiciliar, segundo os novos documentos publicados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na sexta-feira. As mais de 3 milhões de páginas, porém, não indicam se o convite, feito em 2010, foi aceito. A divulgação dos arquivos, que incluem 2 mil vídeos e 180 mil imagens, corrobora com uma lei aprovada pelo Congresso em novembro do ano passado.

Caso Epstein: Departamento de Justiça dos EUA publicará mais de 3 milhões de páginas de arquivos

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Em uma das mensagens, Epstein entrou em contato com Andrew durante uma estadia na capital britânica, em 27 de setembro de 2010, e lhe disse: "Vamos precisar de um tempo a sós". O então príncipe respondeu: "Poderíamos jantar no Palácio de Buckingham e ter muita privacidade".

Dois dias depois, Andrew enviou um novo e-mail: "Adoraria que viesse aqui ao Palácio. Traga quem quiser e estarei disponível das 16h às 20h". No mês anterior, Epstein havia sido libertado da prisão domiciliar, após ser condenado por prostituição de menor.

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No ano passado, Andrew, que sempre defendeu sua inocência, foi destituído de todos os títulos reais e expulso de sua residência oficial em Windsor, devido aos laços com Epstein. A publicação das memórias póstumas de Virginia Giuffre, que acusava o príncipe de tê-la agredido sexualmente em várias ocasiões quando ela era menor de idade, gerou uma onda de indignação no Reino Unido.

No mesmo ano, Epstein procurou Andrew para apresentá-lo a uma jovem russa de 26 anos, ainda de acordo com os novos documentos. Em um e-mail de 12 de agosto de 2010, Epstein diz ao então príncipe, a quem chama de "O Duque", que tem "uma amiga" com a qual ele "talvez" gostasse de jantar e que estaria em Londres de 20 a 24 de agosto. Em resposta, o príncipe diz que ficaria "encantado em encontrá-la". Os arquivos não indicam se o encontro aconteceu.

Os novos arquivos, que figuram o maior lote divulgado do caso até o momento, pareciam conter, pelo menos, 4.500 documentos que mencionavam o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Um deles era um resumo compilado por agentes do FBI, com base em mais de uma dúzia de denúncias de cidadãos envolvendo Trump e Epstein. O presidente, por sua vez, negou qualquer irregularidade em relação ao financista.

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— Não protegemos o presidente Trump — disse Todd Blanche, o vice-procurador-geral, que anunciou a divulgação dos documentos na sexta-feira. — Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém.

Procurada, a Casa Branca remeteu a uma declaração pública do Departamento de Justiça, que afirmava que os documentos “podem incluir imagens, documentos ou vídeos falsos ou apresentados de forma fraudulenta”. A declaração também afirmava que alguns dos documentos continham alegações falsas contra Trump que foram apresentadas ao FBI antes da eleição de 2020.

Horas após a divulgação dos documentos, um grupo de 18 sobreviventes dos abusos de Epstein afirmou, em uma declaração conjunta, que a divulgação não foi suficiente para responsabilizar aqueles que o cúmplices. "Mais uma vez, os nomes e informações pessoais das sobreviventes estão sendo expostos, enquanto os homens que abusaram de nós permanecem escondidos e protegidos", disseram as vítimas. "Isso não acabou. Não vamos parar até que a verdade seja totalmente revelada e todos os agressores sejam responsabilizados", acrescentaram.

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A demanda pela divulgação completa dos documentos atingiu seu ápice no ano passado, depois que o governo Trump insinuou a liberação dos arquivos da investigação e de uma “lista de clientes” relacionados aos abusos sexuais de adolescentes cometidos por Epstein. Quando o Departamento de Justiça recuou em julho do ano passado, declarando que não existia tal lista de clientes e que nenhum documento novo seria divulgado, democratas e outros acusaram o governo de acobertamento. O Congresso, então, acabou aprovando uma lei que exigia a divulgação dos arquivos depois que Trump, sob intensa pressão política, concordou em assiná-la.

Musk e o secretário do governo Trump

Muitos dos e-mails oferecem uma visão das interações amistosas de Epstein com uma ampla gama de figuras influentes muito tempo depois de ele ter sido acusado de crimes sexuais, incluindo Elon Musk e Howard Lutnick, agora secretário de Comércio do governo Trump.

Entre 2012 e 2014, Epstein e Musk trocaram diversas mensagens, comparando suas agendas para encontrar tempo para se reunirem na Flórida ou no Caribe. "Se você tiver um tempinho, venha me visitar na minha ilha, no Caribe", escreveu Epstein a Musk em 25 de setembro de 2012, incentivando o bilionário a "trazer um ou mais amigos".

“Parece bom, vou tentar ir”, respondeu Musk. Em uma publicação nas redes sociais em setembro do ano passado, Musk escreveu que Epstein “tentou me convencer a ir para a ilha dele e eu RECUSEI”.

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Em 2012, Lutnick planejou uma viagem à ilha, de acordo com os documentos divulgados na sexta-feira. A visita planejada ocorreu anos depois de Lutnick ter afirmado ter rompido relações com Epstein. Os registros mostram que Lutnick enviou um e-mail a Epstein, dizendo que tinha um grupo de pessoas — incluindo sua esposa, filhos e outra família — que estavam visitando o Caribe. Ele perguntou onde Epstein estava e se poderiam visitá-lo. Eles, então, finalmente combinaram de marcar um almoço.

Os documentos mostram que as vidas de Lutnick e Epstein continuaram a se cruzar nos últimos anos. Em 2017, o financista contribuiu para um jantar beneficente em homenagem a Lutnick. Em 2018, eles trocaram e-mails que pareciam discutir uma possível união de forças para combater os planos de construção da Coleção Frick, um museu localizado em frente às suas casas.

(Com AFP e New York Times)