Caso Deolane: Operação foi realizada em conjunto com autoridades na Itália e na Espanha, diz Gakiya
A operação que resultou na prisão da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra contou com a cooperação internacional entre autoridades brasileiras e europeias. Suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), Deolane estava em Roma, na Itália, durante a última semana, mas voltou ao Brasil nesta quarta-feira, um dia antes de serem cumpridos os mandados de prisão, segundo as autoridades.
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Em coletiva realizada nesta manhã, investigadores negaram a possibilidade de um vazamento da operação e pontuaram que a volta da influenciadora para o País ocorreu porque nesta quinta-feira ela tinha horário agendado para realizar a renovação de um passaporte na Polícia Federal. Deolane foi presa em sua casa, localizada em um condomínio de luxo em Alphaville, município de Barueri, na Grande São Paulo.
De acordo com o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, a articulação internacional foi mantida sob sigilo para evitar vazamentos e impedir fugas, por isso a influenciadora não foi presa quanto tentou voltar ao País. A estratégia foi sincronizar o cumprimento dos mandados em diferentes países para impedir que investigados fossem alertados. De acordo com os delegados, os pedidos ficaram em sigilo até o momento da operação, às 6h no horário de Brasília.
— A intenção era evitar que a prisão antecipada no exterior alertasse os alvos no Brasil — pontuou Gakiya.
Deolane chegou a ser monitorada em Roma antes de retornar ao País.
O promotor, que está em Roma para um evento com procuradores europeus, esperava articular a prisão no país europeu, o que acabou não ocorrendo. Mesmo assim ele participou da coletiva sobre o caso por meio de uma chamada de vídeo.
— Se a Deolane estivesse aqui hoje (em Roma), ela seria presa às 11 horas da manhã — afirmou.
Os investigadores também confirmaram que uma das suspeitas, identificada como Paloma Sanches Herbas Camacho, é procurada na Espanha e pode ser presa “nas próximas horas”. Já outro alvo, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola, apontado pelas autoridades como o líder máximo do PCC , é considerado foragido e há suspeita de que esteja fora do Brasil.
Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.
Segundo a investigação, Deolane teria recebido valores provenientes da facção criminosa por meio de uma empresa de transportes apontada como braço financeiro da cúpula da facção. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome da influenciadora, valor que, segundo os investigadores, possui indícios de lavagem de dinheiro e origem não comprovada.
A operação também teve mandados expedidos contra integrantes ligados ao alto escalão da facção, incluindo Marco Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe do PCC. Como ele já está preso, a nova ordem de prisão preventiva será apenas comunicada ao sistema penitenciário.
Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC
Investigação aponta uso de transportadora para lavar dinheiro
A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro baseado em uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, apontada como controlada pela cúpula do PCC.
Segundo os investigadores, Everton de Souza, conhecido como “Player”, que também foi preso, aparecia em mensagens interceptadas orientando a distribuição de recursos da empresa e indicando contas para destino do dinheiro.
Deolane Bezerra presa: imagens de depósito mostram que contas da influenciadora foram usadas pelo PCC
Paloma Camacho é suspeita de atuar na Espanha intermediando negócios da família, enquanto Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho estaria na Bolívia e seria destinatário de parte dos valores lavados.
Marcola e Alejandro estão presos na Penitenciária Federal de Brasília.
A Justiça também determinou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros ligados aos investigados.
As investigações começaram em 2019 após a apreensão de bilhetes e manuscritos com presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material originou três inquéritos sucessivos.
O que é ‘smurfing’, técnica de lavagem de dinheiro citada na investigação contra Deolane Bezerra
O primeiro identificou ordens internas da facção e menções a ataques contra servidores públicos. O segundo buscou aprofundar a ligação da transportadora com o grupo criminoso.
Já em 2021, a Operação Lado a Lado apontou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico e uso da empresa como estrutura de lavagem de dinheiro do PCC.
Durante essa operação, a polícia apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. O aparelho revelou detalhes sobre movimentações financeiras da empresa Lopes Lemos Transportes, também chamada Lado a Lado Transportes.
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A partir desse material surgiu uma nova frente investigativa ligada a conexões financeiras com Deolane Bezerra.
Os investigadores afirmam que Ciro comprava caminhões, movimentava recursos da cúpula do PCC, executava ordens de Marcola e Alejandro e administrava patrimônio em nome deles.
No celular apreendido, a polícia encontrou imagens de depósitos favorecendo contas de Deolane Bezerra e Everton de Souza. Ciro Cesar Lemos e a esposa estão foragidos.
Polícia cita depósitos fracionados e movimentações incompatíveis
Segundo o inquérito, a investigação identificou movimentações incompatíveis com a renda formal declarada pela influenciadora, incluindo circulação de valores milionários, recebimentos sem origem esclarecida e aquisição de bens de alto padrão.
Os investigadores afirmam que a projeção pública e a atividade empresarial formal eram usadas como “camadas de aparente legalidade” para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
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O cruzamento de provas apreendidas com relatórios financeiros levou a polícia a apontar Deolane como recebedora de dinheiro proveniente do PCC. Parte das movimentações ocorria por meio de depósitos em espécie feitos a partir do caixa da facção, segundo a investigação.
Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil — prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar rastreamento financeiro.
A polícia afirma ainda que Everton “Player” indicava contas da influenciadora para “fechamentos” mensais do esquema.
As investigações apontam também quase 50 depósitos realizados em duas empresas ligadas a Deolane, somando R$ 716 mil. Os valores partiram de uma empresa que se apresenta como banco de crédito e cujo responsável, segundo os investigadores, recebe cerca de um salário mínimo mensal.
A análise bancária não identificou pagamentos compatíveis com os supostos créditos mencionados nas transferências. Para a polícia, isso indica ocultação e dissimulação de recursos ligados ao PCC.
A investigação também afirma não ter encontrado prestação de serviços jurídicos que justificasse os valores recebidos pela influenciadora.
