Caso Cão Orelha: Ministério Público pede 'diligência específica' à polícia

 

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O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou à Polícia Civil a complementação de diligências. O objetivo é finalizar seu posicionamento jurídico sobre a morte do cão comunitário Orelha. O animal foi encontrado morto em janeiro deste ano, na Praia Brava, em Florianópolis. Uma das hipóteses investigadas é que o cachorro possa ter sido vítima de agressões.


A solicitação foi protocolada pela 10ª Promotoria de Justiça da Capital nesta quinta-feira, 9. O pedido ocorreu após reunião de um grupo de trabalho técnico que auxilia na análise dos elementos probatórios da investigação.


O MPSC informou que o objetivo do pedido é garantir a "completa elucidação dos fatos". A iniciativa busca assegurar que nenhuma informação relevante seja ignorada na tomada de decisão final.


Inconsistências e novas diligências


O inquérito que apura a morte de Orelha também inclui as investigações do caso do cão Caramelo. Caramelo teria sido agredido no mesmo mês de janeiro, mas sobreviveu. Ele foi adotado por Ulisses Gabriel, que era então delegado-geral do Estado.


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Laudos iniciais indicavam que Orelha foi agredido na cabeça por um grupo de jovens, morrendo horas depois na Praia Brava. Contudo, o relatório final das investigações apontou que apenas um menor de idade seria o responsável pelos maus-tratos. A polícia chegou a solicitar a internação do adolescente.


A 10ª Promotoria de Justiça de Florianópolis recebeu a conclusão das investigações policiais. Entretanto, a promotoria identificou a necessidade de maiores esclarecimentos. Diante disso, foi solicitada a exumação do corpo de Orelha, medida que foi autorizada pela Justiça.


O novo laudo pericial, resultado da exumação, não identificou fraturas por ação humana em Orelha. O exame concluiu que não é possível determinar a causa da morte. Também não confirmou traumas na cabeça ou em outras partes do corpo do animal. Apesar disso, a hipótese inicial de agressão humana, com golpes na cabeça, não foi descartada.


Investigação sobre ex-delegado-geral


No mês passado, a promotoria instaurou um inquérito civil para investigar a conduta de Ulisses Gabriel. O ex-delegado-geral do Estado deixou o cargo no fim de fevereiro. Ele se afastou para lançar sua pré-candidatura a deputado estadual.


O processo foi aberto após denúncias contra Ulisses, que incluem abuso de autoridade e violação de sigilo funcional. Também há acusações de ato de improbidade administrativa. A defesa do ex-delegado nega qualquer irregularidade nas condutas investigadas.


A Polícia Civil e o próprio ex-delegado, Ulisses Gabriel, inicialmente afirmaram que Orelha foi morto por agressões de adolescentes. No entanto, com o avanço das investigações, essa versão inicial começou a apresentar inconsistências.