Caso Bruno e Dom: Julgamento dos acusados de mortes será transferido para Manaus, decide Tribunal Federal
O Ministério Público Federal (MPF) obteve nesta quarta-feira decisão favorável do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) que determinou o desaforamento (a transferência do local) do julgamento de Amarildo da Costa Oliveira e Jefferson da Silva Lima, apontados como executores dos assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips. Com a decisão, o Tribunal do Júri deixa de ocorrer em Tabatinga e passa a ser realizado em Manaus (AM).
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Ao pedir o desaforamento, o MPF sustentou que a manutenção do julgamento em Tabatinga comprometia a duração razoável do processo.
— O objetivo do MPF ao pedir o desaforamento, a transferência do julgamento de Tabatinga para Manaus, foi para garantir celeridade ao processo, para que os executores sejam julgados pelo Tribunal do Júri o mais rápido possível — explicou o procurador da República em Tabatinga Guilherme Diego Rodrigues Leal, autor do recurso acolhido pelo TRF1.
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Com a decisão do tribunal, as ações penais relativas aos executores voltam a tramitar separadamente, o que deve permitir o prosseguimento do julgamento de Amarildo da Costa Oliveira e Jefferson da Silva Lima de forma mais ágil.
Ainda não há data definida para a realização do júri, mas, com o desaforamento, o processo passa a tramitar em Manaus, ficando apto ao início da fase de julgamento.
— Levar o julgamento do Tribunal do Júri de Tabatinga para Manaus foi uma conquista do Ministério Público Federal e da sociedade. A mudança garante um ambiente mais sereno, distante das pressões locais que influenciam o contexto social de Tabatinga, além de maior celeridade processual. Seguidos todos os trâmites do processo penal, os executores de Bruno e Dom serão, em breve, levados a julgamento pelo Tribunal do Júri — afirma ao GLOBO o procurador da República responsável pelo caso, Dr. Guilherme Diego Rodrigues Leal.
Entenda o caso
Servidor licenciado da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Bruno era alvo constante de ameaças pelo trabalho que vinha fazendo junto aos indígenas contra invasores na região, pescadores, garimpeiros e madeireiros. Ele estava acompanhado de Dom, que havia ido à região produzir reportagem sobre a região, que concentra a maior quantidade de indígenas isolados do mundo.
Os dois foram vistos pela última vez em 5 de junho de 2022. Os restos mortais deles seriam encontrados dez dias depois. Os corpos estavam queimados, esquartejados e com marcas de tiro. Conforme a perícia da PF, Bruno foi atingido por três disparos, dois no tórax e um na cabeça. Dom foi atingido uma vez, no tórax.
Peruano Rubens Villar Coelho, conhecido como Colômbia, é suspeito de ser o mandante dos homicídios do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillip
Reprodução/TV Globo
A PF investigou se havia um esquema de lavagem de dinheiro para o narcotráfico por meio da venda de peixes e animais capturados pela quadrilha. Bruno Pereira teria descoberta o caso, o que contrariou o interesse de "Colômbia", que tem dupla nacionalidade brasileira e peruana. Segundo as investigações, ele recorria à venda dos animais para lavar o dinheiro da droga, que era produzida no Peru e na Colômbia e vendida a facções criminosas no Brasil. Há suspeita de que ele teria ordenado a um dos executores da dupla colocar a “cabeça de Bruno a leilão”.
Apontado como mandante do crime, Ruben Dario Villar, o Colômbia, terá suas primeiras audiências a partir do dia 9 de fevereiro, em Tabatinga. Ainda é a primeira fase do julgamento, não se trata ainda de plenário do júri, como os demais acusados.
