Caso Banco Master: Toffoli desiste de lacrar material apreendido e determina análise da PGR

 

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, autorizou a Procuradoria-Geral da República (PGR) a analisar e extrair dados de todo o material apreendido na Operação Compliance Zero. No mesmo despacho, Toffoli criticou a Polícia Federal por não ter realizado a operação contra o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, parentes dele e empresários no prazo de 24 horas após a autorização para o cumprimento dos mandados.

Toffoli disse que o descumprimento causou “espanto”, falou em “inércia exclusiva” da PF, citou falta de empenho e apontou prejuízo para as investigações. A operação foi autorizada no dia 7 de janeiro, mas só foi realizada nesta quarta-feira (14), após os investigadores descobrirem que o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, estava com passagem comprada para o exterior.

O ministro deu 24 horas para que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, preste esclarecimentos sobre o descumprimento do prazo.

Inicialmente, Toffoli havia determinado que todos os documentos e materiais apreendidos na nova fase da Operação Compliance Zero ficassem “lacrados e acautelados” no STF. No entanto, a pedido da PGR, o ministro autorizou que o Ministério Público Federal seja responsável pela análise e extração dos dados.

Operação Compliance Zero

Nesta quarta-feira, a Polícia Federal cumpriu mais de 40 mandados de busca e apreensão e prendeu Fabiano Zettel quando ele se preparava para embarcar para Dubai. O empresário foi solto em seguida, após o cumprimento do mandado.

Em novembro, Daniel Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos horas antes de viajar para o mesmo destino. Nos dois casos, os investigadores suspeitavam de tentativa de fuga.

No despacho que autorizou a operação, Toffoli citou a gravidade dos fatos e a necessidade de aprofundar as investigações, diante de “fartos indícios” de práticas criminosas dos envolvidos. O ministro também determinou o sequestro e o bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões.

A operação desta quarta-feira apura suspeitas de fraude envolvendo fundos de investimento. Empresários foram alvos, e mandados foram cumpridos inclusive na região da Faria Lima, em São Paulo. Nos endereços, os policiais apreenderam R$ 645 mil em dinheiro, 23 veículos de luxo avaliados em R$ 16 milhões, 16 relógios e 30 armas, além de 39 celulares e 31 computadores.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário tem colaborado com as autoridades e que todas as medidas judiciais serão cumpridas com total transparência. Os advogados disseram ainda que ele permanece à disposição e espera o encerramento célere do inquérito.