As 298 lojas da Casas Bahia fechadas nos últimos dias "estavam na UTI", segundo o CEO da varejista, Renato Franklin. O encerramento das unidades é parte do "plano de transformação" da companhia, que pediu recuperação judicial para renegociar dívidas que somam R$ 17,3 bilhões. Cerca de 3 mil funcionários foram demitidos. Em teleconferência nesta segunda-feira sobre os resultados do segundo trimestre, o executivo detalhou que a empresa passa por um processo de redimensionamento dado o cenário macroeconômico, com consumidores endividados e juros altos, que encarecem o crédito. Segundo Franklin, as lojas atingidas pelos cortes eram menos rentáveis que a média do grupo. — Optamos por fazer em uma onda única. Teve uma dificuldade operacional, mas entendemos que era a melhor maneira de se fazer. Você resolve de uma vez, não gera ansiedade. Foi o ajuste que precisávamos fazer, eliminando todas as lojas que estavam na UTI — afirmou o executivo. Com os cortes, 3 mil funcionários foram dispensados. Nas redes, são muitos os relatos de profissionais atingidos, desde aqueles com poucos anos de casa até outros com décadas de experiência no grupo. Franklin não prevê novos cortes de funcionários ou fechamento de lojas, mas admite que, caso o cenário macroeconômico se deteriore ainda mais no próximo ano, a empresa terá que "voltar para a prancheta para redimensionar". 'Pior crise' No pedido de reestruturação levado à Justiça no domingo, a Casas Bahia argumenta que enfrenta a "pior crise financeira desde a fundação", num cenário ainda mais complexo que o vivido em 2024, quando a empresa passou por uma recuperação extrajudicial. Agora, a companhia acumula dívidas de R$ 17,3 bilhões. Após o pedido de recuperação judicial, as ações da Casas Bahia despencam quase 30% nesta segunda-feira. O pedido protocolado na Justiça de São Paulo inclui dívidas de R$ 17,3 bilhões devidas a cerca de 28 mil credores. A relação é diversa, e inclui desde bancos e fundos de investimentos até grandes fornecedores de eletrodomésticos e eletrônicos vendidos pela varejista. A maior parte das dívidas, cerca de R$ 16,4 bilhões, são do tipo quirografárias, ou seja, sem garantia real, como débitos com fornecedores. Já dívidas de natureza trabalhistas totalizam R$ 754,5 milhões.
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Casas Bahia: 300 lojas fechadas 'estavam na UTI' e grupo não prevê novos cortes, diz CEO
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