Casado há quase 30 anos, Marcelo Médici fala da decisão de não expor relação: 'Questão de respeito'
No ar em "A nobreza do amor" como o padre Viriato e o cangaceiro Carrapato, Marcelo Médici diz que a experiência de interpretar gêmeos na TV é um grande exercício de concentração.
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— Por mais que eu já tenha feito espetáculos em que vivia nove personagens, tudo era feito na direção. Era a direção que fazia essa ilusão em cena. Do jeito que acontece na novela, só é possível no audiovisual. E é uma loucura porque você tem que fazer todo o cálculo de intenção, de temperatura dos personagens, como cada um está naquele momento. Chega no final do dia, eu já estou batendo o pino. E a equipe toda também, porque, além de fazer dois personagens, o Carrapato se passa pelo padre. Então chega uma hora em que todo mundo da equipe está confuso mesmo. Eu tenho que decorar os dois personagens, a cena inteira — explica.
Médici conta com a ajuda do ator Alexsandro Palermo (veja foto abaixo) nas gravações. Quando Médici grava como o padre Viriato, Palermo encarna o irmão dele, Carrapato. Então, os dois repetem a cena, mas com os papéis invertidos. Na edição, a equipe opera a mágica:
— Mas ainda assim é meio solitário. Às vezes, vejo o pessoal fazendo aquelas cenas grandes, na pensão, que são uma delícia de gravar, uma farra, e eu durante vários dias gravando sozinho. Me perguntam: "Com quem você vai gravar hoje?". Eu brinco: "Comigo mesmo".
O ator conta que recebeu o convite para a trama das 18h em meio do ano passado e que, a princípio, faria apenas o padre:
— Eu estranhei, mas adorei, porque eu nunca pensei em fazer um padre. É difícil. Não é uma coisa com a qual eu tenha contato. Mas achei bonito, porque minha avó era muito católica. Passou um tempo e a Duca Rachid (que escreve a história com Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr) falou que ele teria um irmão gêmeo cangaceiro. Eu fiquei feliz da vida. Sempre sonhei em fazer um cangaceiro. Por mais que eu seja filho e neto de nordestinos, não sou nordestino. E fui ficando mais velho. Os cangaceiros eram mais jovens, morriam mais jovens. Daqui para a frente, o Carrapato terá cenas muito bonitas com a filha dele (Belmira, vivida por Raíssa Xavier).
Médici está em cartaz no Teatro dos Quatro, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro, com o monólogo "Dona Lola". Ele conta como faz para conciliar as gravações com o espetáculo:
— Na verdade, sempre conciliei TV e teatro. A única diferença é que desta vez estou fazendo a peça só aos domingos por conta das gravações, que estavam mais intensas. Estou com 54 anos, não estou velho, mas não tenho mais 30. Quando eu vim fazer a minha primeira novela, eu fazia peça sexta, sábado e domingo. Hoje, eu acho que eu morro, já não dá mais.
A comédia fala sobre amizade, etarismo, família e perdão. Apesar de o espetáculo ter o mesmo nome da já falecida aavó de Médici, ele garante a personagem não é ela:
— É uma senhora de 75, 80 anos que viraliza nas redes sociais depois que a neta posta um vídeo dela. A partir daí, ela resolve fazer teatro. É um pouco uma crítica também ao que, de certa forma, acontece hoje em dia. Os influenciadores vão ganhando espaço em lugares onde eles não têm preparo ainda. É uma brincadeira em cima disso. Quando decidimos que seria o nome da minha avó, abriu uma gaveta de recordações. O nome das amigas da personagem são nomes de irmãs da minha avó. Tem passagens reais na peça, mas não é a minha avó. Na minha época, uma mulher de 80 anos estaria em casa, meio que seria aquela senhorinha de idade. Hoje elas têm amigas, vão ao cinema, viajam sozinhas. A gente quis fazer um espetáculo que não fosse em nenhum momento tirar partido para fazer graça da decadência de envelhecer. O enfoque é no lado positivo; Também não é autoajuda, é fazer um retrato mesmo.
Com 36 anos de carreira, Médici avalia sua trajetória e afirma estar realizado por ter chegado aonde chegou:
— Quando eu penso de onde eu saí, penso na minha personalidade... Claro que eu fiz concessões, todo mundo faz. Algumas vezes fiz coisas por muito amor, outras, por dinheiro. Estou falando profissionalmente, a gente não faz só o que quer. Mas, quando olho para isso falo, que cheguei aonde queria. Eu queria muito fazer televisão. Quando eu comecei a fazer teatro, os atores tinham preconceito com televisão. Assumir que você queria fazer TV era quase um pecado, você era um alienado, fútil. Mas eu sempre quis fazer novela e consegui. Não tive nenhum tipo de deslumbramento, mas uma sensação de gratidão e conquista muito grande com isso. Claro que às vezes eu penso: "Poxa, eu podia ter mais dinheiro, estar mais rico". Eu poderia estar mais tranquilo e não preocupado em acabar um trabalho e já pensar se me chamam para outro porque, se não me chamarem, eu tenho que criar algo para fazer. As pessoas hoje em dia veem essas matérias de atores que estão passando por situações difíceis e costumam dizer: "Ah, gastou dinheiro ostentando, gastou dinheiro com mulher, gastou dinheiro com homem, com besteira, achou que a fama não ia acabar". Na verdade, para a maioria dos atores, quando você faz um uma novela, são oito, dez meses de trabalho. Depois, acabou. Às vezes você fica dois, três anos anos sem fazer novela. Eu fiquei sete anos. Tudo bem que eu estava fazendo o "Vai que cola" (do Multishow), que eu adorava e me segurava de grana. Mas hoje em dia eu não posso me aposentar, por exemplo, nem pensar.
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Reservado, Médici afirma que não esconde sua vida pessoal, mas também não expõe detalhes que não deseja. Casado há mais de 28 anos, ele fala sobre a decisão de não falar da relação publicamente:
— O lado bom da rede social é que você coloca o limite do que você quer que as pessoas saibam. Meus amigos, minha família, todo mundo sabe da minha vida. Nunca fui aquela pessoa que fala: "Ai, vou esconder". Eu respeito quem tem filhos e não quer mostrar e também respeito quem quer. É uma escolha da pessoa. Essas coisas precisam ser respeitadas porque senão você tem que lidar com a opinião dos outros com tudo aquilo, e tem opiniões que, honestamente, eu não pedi. Tem aquele meme: "Eu até aceito crítica, mas também não fico quieto". Quando eu comecei na carreira, existia muita crítica de teatro. Eu aprendi com a Walderez de Barros que você nunca responde a uma crítica. Com relação à minha vida pessoal, uma vez, quando minha avó era viva, nos chamaram para fazer uma chamada de fim de ano da Globo, mas eu não deixei. Claro que ela ia adorar, ia ser um sucesso na família. Mas eu pensei que ela ia ter que lidar com uma situação para a qual ela não se preparou. Enquanto ela foi viva, nunca postei nada dela em internet. Agora, como homenagem, às vezes eu posto. Quando você tem um relacionamento, seja de que tipo for, tem que ter o consentimento. É uma questão de respeito, individualidade. Você fica aberto a tudo. No casamento, você também depende da outra pessoa querer que isso esteja ali ou não. Não é só uma vontade sua.
Marcelo Médici e Alexsandro nos bastidores de 'A nobreza do amor'
Divulgação
Marcelo Médici em 'A nobreza do amor'
Divulgação/Globo e Reprodução Instagram
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