Casa no interior de Pernambuco vence prêmio internacional de arquitetura. 'Usamos mão de obra da minha rua'; veja fotos e vídeo

 

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Em um vídeo nas redes sociais, o arquiteto Zé Vágner compartilha o momento emocionante ao contar para mãe sobre a vitória no prêmio Building of The Year 2026, da ArchDaily, na categoria Casas. A residência premiada, localizada em Feira Nova, no interior de Pernambuco, é da mãe do arquiteto e foi construída por moradores locais na década de 1980 e reformada no ano passado.

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Zé Vágner, de 33 anos, contou ao GLOBO não acreditar na conquista e diz estar administrando o sentimento após vencer uma premiação tão concorrida. Ele relata que, em geral, a curadoria do prêmio avalia a obra antes de publicá-la, mas, no caso dele, o site o procurou para solicitar a submissão do projeto.

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Para o arquiteto, o fato de uma casa da região interiorana de Pernambuco, com cerca de 20 mil habitantes, ter sido premiada “foi de arrepiar”. Ele avalia que a repercussão pode provocar algumas reflexões sobre construções pelo Brasil. Embora destaque as riquezas do estado em que mora, afirma que há uma padronização arquitetônica no país inteiro.

— A arquitetura é a mesma que estão fazendo lá no Sul, do Oiapoque ao Chuí é a mesma arquitetura. Arquitetura boa é quando você faz algo diferente mas com coisas daqui, pensando no clima daqui — defende Vágner.

Casa do interior de Pernambuco ganha prêmio internacional 

Típica casa latina

—Quando você olha a casa de mainha você não vê características comumente das obras que são publicadas lá [no site do prêmio], então era algo muito distante — explicou o arquiteto, e continuou — o que a gente fez aqui foi coisa do interior, a gente usou material do interior, usamos mão de obra da minha rua, utilizamos tudo que tinha mais perto por questão de custo e de necessidade mesmo, disse Vágner.

Veja o antes e depois da casa premiada internacionalmente

Zé Vágner e Hélder Santana

Segundo ele, a casa precisa “funcionar para quem mora nela”. Inclusive, a necessidade da reforma surgiu por uma questão de saúde respiratória da mãe, dona Marinalva, de 59 anos, que trabalha como costureira. A construção, para o ganhador do prêmio, tinha muitas “patologias”.

— Era aquela típica casa latina que você constrói um cômodo, ganha um dinheiro e constrói outro. Então eram vários cômodos adjacentes pequenos que não se comunicavam. A gente uniu tudo. A ideia foi melhorar a saúde da casa basicamente de forma a entender o conforto ambiental como um pilar. A gente trouxe ventilação, iluminação e qualidade para o espaço — destacou.

Foram reformadas a fachada e as áreas sociais e preservadas as paredes originais de adobe (tijolos de terra crua, água e fibras naturais), que auxilia o conforto térmico da casa. A principal intervenção foi no aumento do pé-direito em uma parte da construção, tornando as duas inclinações do telhado desiguais, o que facilitou a ventilação da fachada voltada para oeste por meio de uma linha de cobogós, que são blocos vazados que podem ser feitos de diversos materiais.

Aqueles cômodos que foram sendo construídos com o tempo foram demolidos para dar lugar a uma sala de estar, um jardim interno e um terraço aberto. As portas de entrada também foram restauradas.

Zé Vágner é nascido e criado na casa premiada e foi para Recife estudar arquitetura na UFPE. Escolheu o curso porque sempre gostou de criar e inventar. Ele contou que voltou para cidade natal com a expectativa de fazer a reforma a partir dos aprendizados da graduação.

— Era pegar o que a gente tinha, otimizar o espaço e aplicar o conceito de conforto ambiental, conceito de ventilação cruzada para melhorar iluminação e a salubridade do espaço — concluiu.

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*Sob supervisão de Daniel Biasetto