Sob aplausos, com um público dançante e as músicas na ponta da língua, Ed Motta subiu ao palco do Circo Voador, para celebrar os 30 anos do álbum “Manual prático para festas, bailes e afins”, nesta sexta (29). Logo de início, o cantor, compositor e multi-instrumentista, que se envolveu recentemente em uma polêmica e foi acusado de xenofobia (ele chamou um garçom de ‘paraíba’), se desculpou:
— Não posso começar esse show sem prestar homenagens à Paraíba, porque vacilei feio. Tô com o filme queimadaço — disse ele que, em seguida, cantou “Coleção”, do cantor paraibano Cassiano, e foi ovacionado pelo público.
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Mas não parou por aí. Durante a canção “Fora da Lei”, uma rolha foi jogada ao palco, relembrando o episódio da confusão com amigos no restaurante por causa da taxa da rolha de vinho. Ed arremessou uma cadeira no chão e dias depois foi prestar esclarecimentos na delegacia. No palco, ele recebeu a rolha com bom humor, brincou com a situação e até perdeu o refrão da música.
Banda sincronizada e muita dança
O ambiente da Lapa parecia feito para o repertório do artista. O público parecia hipnotizado pela banda regida (literalmente) por ele. Com arranjos sofisticados, o conjunto foi capaz de provocar uma pequena catarse dançante na pista.
Em um determinado momento, Ed lembrou que o Circo Voador foi o terceiro local em que tocou, no início da carreira, na década de 1980. E ainda deixou no ar que pode voltar em breve, já que alguns fãs pediram canções que “não estavam no cardápio”. O artista parecia, de fato, em casa, à vontade para levar o soul, funk, jazz e a MPB até a boemia da Lapa.
A técnica e a presença de palco se somaram à emoção nas faixas lentas e românticas, como “Outono no Rio”, “Minha casa, minha cama, minha mesa”, “Vendaval”, “Falso milagre do amor” e “Colombina”, e também nas dançantes, como “Manuel”, “Vamos dançar” e “Daqui pro Méier”, dedicada especialmente ao Circo. Um casal que subiu ao palco, à convite de Ed, para dançar. Mas o grand finale foi a interpretação de “No meu coração você vai sempre estar”, canção que escreveu para o filme “Tarzan” e cantou a pedido do público, que acompanhou com as lanternas dos celulares ligadas.
Entre comentários bem-humorados, histórias rápidas e improvisos vocais, o cantor conduziu uma noite repleta de calor humano, reforçando por que é uma das personalidades mais singulares da música brasileira. Ele se emocionou ao sair do palco e fez até um desabafo:
— Vocês me surpreenderam. Eu ando muito triste, porque fiz besteira. Mas obrigada por isso, tá? — disse ele, que ouviu gritos, sussurros e aplausos seguidos de alguns “tá perdoado”.
Afinal, o mundo é fabuloso, mas o ser humano nem sempre é tão legal.
