Casa Branca diz que Otan 'deu as costas' aos EUA na guerra com Irã às vésperas de reunião entre Trump e chefe da aliança
A Casa Branca afirmou nesta quarta-feira que a Otan “deu as costas” aos Estados Unidos no contexto da guerra com o Irã, elevando o tom das críticas à aliança militar poucas horas antes de uma reunião entre o presidente americano, Donald Trump, e o secretário-geral do bloco, Mark Rutte, em Washington.
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A declaração foi feita pela porta-voz Karoline Leavitt, que indicou que Trump deve discutir com Rutte a possibilidade de abandonar a aliança durante o encontro na Casa Branca, marcado para a tarde.
— (A saída da Otan) é algo que o presidente tem discutido e que acredito que ele voltará a tratar nas próximas horas com o secretário-geral Mark Rutte — afirmou a porta-voz.
Trump chegou a sugerir que os Estados Unidos poderiam deixar a aliança após países membros ignorarem seu apelo para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o comércio global que havia sido fechada pelo Irã, provocando alta nos preços de energia.
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A reunião ocorre em meio ao cessar-fogo de duas semanas envolvendo o Irã, anunciado na terça-feira, e em um momento de tensão entre Washington e aliados europeus sobre o papel da Otan no conflito no Oriente Médio.
Antes do encontro com Trump, Rutte se reuniu com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo o Departamento de Estado, as conversas abordaram as operações militares contra o Irã, a guerra na Ucrânia e o reforço da coordenação entre os países membros, incluindo a chamada “divisão de encargos” dentro da aliança.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio (à direita), cumprimenta o secretário-geral da Otan, Mark Rutte (à esquerda), durante encontro no Departamento de Estado, em Washington, D.C., em 8 de abril de 2026
KENT NISHIMURA / AFP
Os EUA desempenham papel central na Otan desde sua criação, em 1949, mas o governo Trump tem intensificado as cobranças sobre os aliados europeus, especialmente em relação aos gastos com defesa e ao apoio em operações militares recentes.
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Nos últimos dias, o presidente americano voltou a criticar países europeus por não apoiarem de forma mais ativa a ofensiva conduzida por EUA e Israel contra o Irã. Apesar disso, Trump mantém uma relação próxima com Rutte, a quem já descreveu como “um cara formidável”.
A expectativa é que o chefe da Otan tente amenizar as tensões e reforçar o compromisso dos aliados durante o encontro.
