Casa Branca alerta funcionários contra uso de informações privilegiadas em apostas geopolíticas, como o cessar-fogo no Irã

 

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Em meio às negociações por um cessar-fogo na guerra com o Irã no mês passado, a Casa Branca alertou funcionários para não usarem informações internas em apostas geopolíticas. Segundo o Wall Street Journal (WSJ), três contas na plataforma Polymarket lucraram cerca de US$ 600 mil (mais de R$ 3 milhões, na cotação atual) ao prever corretamente a data da trégua na guerra, levantando suspeitas de uso indevido de informação interna.

Críticos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluindo senadores democratas, logo inferiram que alguém estava lucrando com o conhecimento prévio das decisões política internas.

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"Estão transformando a guerra em um jogo de cassino e criando um mercado para vazamentos de segurança nacional", afirmou o senador democrata Richard Blumenthal, de Connecticut, em comunicado no mês passado.

O alerta foi enviado por e-mail a todos os funcionários pelo Gabinete de Gestão da Casa Branca em 24 de março, segundo fontes ouvidas pelo WSJ. No dia anterior, Trump havia recuado em um de seus "ultimatos", estendendo o prazo para um eventual ataque ao Irã.

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Ao WSJ, um alto funcionário do governo Trump, que recebeu o e-mail, descreveu o alerta como um "lembrete" oportuno, visto que apostas suspeitas e exorbitantes em mercados futuros estão "em alta nas notícias".

Em janeiro, por exemplo, um operador desconhecido dobrou suas apostas na iminente saída de Nicolás Maduro do poder na Venezuela, menos de cinco horas antes de sua captura durante uma operação dos EUA em Caracas. As apostas na plataforma Polymarket renderam ao operador cerca de US$ 400 mil (mais de R$ 2 milhões). E em fevereiro, Israel prendeu diversas pessoas, incluindo reservistas do Exército, sob a acusação de usar informações confidenciais para apostar em operações militares israelenses na Polymarket.

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Vincent Alban/The New York Times

— Trump foi muito claro. Embora busque um mercado de ações forte e lucrativo para todos, membros do Congresso e outros funcionários do governo devem ser proibidos de usar informações privadas para obter benefícios financeiros — afirmou o porta-voz do presidente americano, Davis Ingle, ao WSJ, acrescentando que rejeita qualquer sugestão de que alguém dentro do governo estivesse usando sua posição para lucrar com apostas.

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As normas de ética do governo já proíbem que funcionários do Executivo joguem em propriedades federais, e existem regras que impedem o uso de informações governamentais para ganho privado.

Os democratas do Congresso argumentam que as atuais salvaguardas federais são insuficientes para um cenário em constante evolução, onde fortunas podem ser feitas anonimamente.

No mês passado, Blumenthal e o senador democrata de Nova Jersey, Andy Kim, apresentaram um projeto de lei que proibiria completamente os mercados de previsão relacionados a guerras ou ações militares.

— A corrupção e a exploração estão prosperando neste momento nas brechas e lacunas dos mercados de previsão — afirmou Kim, na ocasião.

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Não há, de fato, evidências de vazamentos ou de que alguém dentro do governo Trump esteja usando informações privilegiadas para fazer apostas oportunas. Esses mercados permitem que os usuários apostem em tudo, desde esportes a eventos mundiais, e saquem seus ganhos anonimamente.

Apostas vencedoras incomuns já estão chamando a atenção do público e inspirando indignação, inclusive entre os apoiadores do presidente.

— É repugnante — disse Tom Ellsworth durante uma gravação do “PBD Podcast” em março.

Investidor de longa data e co-apresentador do programa simpático a Trump, ele especulou que “um círculo de pessoas” no governo devia saber “o que o presidente ia dizer” e agiu antecipadamente com base em informações privilegiadas.

— O momento escolhido para isso certamente é suspeito — concluiu.