Cartel de Sinaloa, Trem de Aragua e MS-13: antes de PCC e CV, Trump já classificou outros 15 grupos da América Latina como terroristas; saiba quais
A inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na estratégia antiterrorismo dos Estados Unidos marca um novo capítulo de uma ofensiva regional iniciada há mais de um ano contra grupos criminosos nas Américas. Antes das facções brasileiras, cartéis mexicanos, gangues haitianas, grupos ligados ao narcotráfico no Equador e na Venezuela e organizações colombianas já haviam sido incorporadas à política americana de sanções.
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O secretário de Estado Marco Rubio anunciou que PCC e CV seriam classificados como organizações terroristas pelos Estados Unidos, descritos pelo governo americano como "duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil".
As facções brasileiras já passaram a ser classificadas como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e também devem receber a classificação de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) a partir de 5 de junho de 2026.
A medida permite bloqueio de ativos, proibição de transações e restrições migratórias, além de tornar ilegal nos Estados Unidos fornecer "apoio material ou recursos" às organizações designadas.
Instituições financeiras americanas que identifiquem recursos ligados a uma FTO ficam obrigadas a "reter a posse ou o controle sobre os fundos e reportar os fundos ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA".
Estratégia começou com cartéis mexicanos
A primeira etapa da ofensiva de Trump contra organizações criminosas na América Latina foi anunciada em 20 de fevereiro de 2025 e teve foco nos principais cartéis mexicanos e gangues transnacionais associadas ao tráfico e à violência regional.
Antes disso, em 2021, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foram retiradas da lista americana de organizações terroristas, cinco anos após o acordo de paz firmado com o governo colombiano. A retirada, porém, não encerrou a política de designações dos Estados Unidos em relação ao grupo. Facções dissidentes que não aderiram integralmente ao pacto continuaram classificadas como terroristas pelos americanos, entre elas a FARC-EP e a Segunda Marquetalia.
Em fevereiro de 2025, porém, Trump incluiu na lista o Cartel de Sinaloa, o CJNG — Cartel de Jalisco Nueva Generación —, o Cartel do Nordeste, a Nova Família Michoacana, o Cartel del Golfo e os Carteles Unidos. Também foram incluídos o Trem de Aragua, de origem venezuelana e atuação transnacional, e a MS-13, ligada à América Central.
A política foi ampliada em 5 de maio de 2025 para incluir grupos associados à crise de segurança no Haiti. Passaram a integrar a lista, então, o Viv Ansanm e o Gran Grif.
Equador, Venezuela e Colômbia entraram na sequência
Em 5 de setembro de 2025, diante da escalada de violência ligada ao narcotráfico no Equador, os Estados Unidos adicionaram Los Choneros e Los Lobos à política de designações.
Poucas semanas depois, em 24 de setembro, a ofensiva alcançou novas estruturas criminosas da América Central e da Venezuela. Foram incluídos o Bairro 18 e o Cartel de los Soles, supostamente operado por membros das Forças Armadas da Venezuela.
A Colômbia entrou na estratégia americana em 17 de dezembro de 2025, com a inclusão do Clã do Golfo. O grupo é identificado como a principal rede de tráfico de cocaína do país e o maior grupo paramilitar colombiano.
Facções brasileiras
A fase mais recente da estratégia foi anunciada em 28 de maio de 2026, com a inclusão do PCC e do Comando Vermelho. A medida amplia o bloqueio econômico e o cerco diplomático contra as organizações criminosas brasileiras.
O anúncio ocorreu após viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Ele se reuniu com Donald Trump, J.D. Vance e Marco Rubio. O The New York Times informou, em março, que Eduardo e Flávio Bolsonaro pressionavam o governo americano pela adoção da designação.
O governo brasileiro tentou evitar a classificação por considerar que ela poderia representar risco à soberania nacional e defende o enfrentamento ao crime organizado por meio de cooperação bilateral e compartilhamento de informações.
O que muda com a nova classificação?
Permite ao governo americano adotar medidas legais, financeiras e operacionais específicas contra o grupo enquadrado;
Autoriza bloqueio de ativos financeiros, proibição de transações e restrições migratórias contra integrantes ou associados;
Torna crime, nos Estados Unidos, qualquer forma de apoio material ao grupo, incluindo dinheiro, treinamento, serviços ou fornecimento de equipamentos;
Amplia o uso de instrumentos de inteligência e das capacidades operacionais do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, inclusive em ações unilaterais, dependendo da forma de aplicação da legislação.
A classificação FTOs, que deve começar a valer a partir de junho, é feita pelo secretário de Estado e diz respeito a grupos estrangeiros. A designação torna ilegal para "uma pessoa nos Estados Unidos ou sujeita à jurisdição dos Estados Unidos" fornecer "apoio material ou recursos" à organização. Instituições financeiras americanas que tomem conhecimento de gerirem fundos de interesse de uma FTO tornam-se obrigadas a "reter a posse ou o controle sobre os fundos e reportar os fundos ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA".
Já a classificação de SDGT, que já está valendo para os dois grupos criminosos, foi instituida pelo ex-presidente americano George W. Bush em setembro de 2001, após os ataques da Al-Qaeda às Torres Gêmeas. A designação é administrada pelo Departamento de Estado e pelo Departamento do Tesouro dos EUA, tendo foco financeiro e podendo atingir indivíduos.
A partir da classificação, todas as propriedades dos alvos que estejam nos EUA são bloqueadas. Americanos ou pessoas dentro do país ficam proibidas de fazer "qualquer transação ou negociação (...) envolvendo bens ou interesses em bens bloqueados". Isso inclui "o fornecimento ou recebimento de qualquer contribuição de fundos, bens ou serviços para ou em benefício de indivíduos ou entidades designados".
