O mercado de carros elétricos cresceu 20% em 2025 em relação a 2024, ultrapassando a marca de 20 milhões de unidades vendidas, de acordo com o relatório Global EV Outlook, publicado pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Pelos dados coletados, a participação dos modelos elétricos nas vendas totais do mercado automobilístico aumentou para 25%. O ano passado foi o quinto ano consecutivo em que as vendas anuais da categoria cresceram cerca de 3,5 milhões de unidades, uma tendência iniciada em 2021 após a pandemia de Covid-19. Como resultado, cerca de 5% da frota global de veículos é agora composta por elétricos, o que representará uma redução de 1,2 milhão de barris de petróleo por dia em 2025.
Na América Latina, foram comercializados mais de 350 mil carros elétricos em 2025, alta de 75% em comparação com 2024. O Brasil foi um dos responsáveis por esses números. As vendas no país atingiram 180 mil unidades, representando 9% do total de carros novos vendidos, um aumento em relação aos 6,5% registrados em 2024.
No ano passado, pouco menos de 85% de todos os carros elétricos vendidos no Brasil foram fabricados na China. O país oriental, inclusive, é o maior mercado de elétricos. Em 2025, foram vendidas por lá mais de 13 milhões de unidades, o que representa seis em cada dez comercializadas globalmente. Estima-se que 44 milhões de carros elétricos circulavam nas ruas chinesas no final de 2025, representando cerca de 13% do total de automóveis. O relatório destaca que o crescimento das vendas de carros elétricos na China tem sido extremamente rápido nos últimos cinco anos. De 2020 a 2024, a taxa de crescimento anual ultrapassou 75% e a participação nas vendas aumentou em cerca de 10 pontos percentuais em média a cada ano.
Mas nem tudo são flores. Cerca de quatro em cada cinco revendedores de carros usados no país se recusam a aceitar veículos totalmente elétricos com mais de cinco anos de uso, devido a preocupações com a vida útil das baterias e os custos de substituição.
Associação Chinesa de Concessionárias de Automóveis informa que um carro elétrico de três anos de uso na China é hoje revendido por cerca de 45% de seu preço original, ante quase 55% em 2023. O Rest of World relata que os revendedores chineses não conseguem determinar com segurança o preço de um elétrico usado porque ainda não existe uma maneira consensual de medir a condição da bateria, que é o seu componente mais caro. E os países que importaram veículos elétricos chineses enfrentarão o mesmo problema de avaliação em breve. “Exportar o carro é a parte fácil”, disse Bill Russo, fundador da consultoria Automobility, sediada em Xangai. “Construir o ecossistema que apoia o segundo e o terceiro proprietário é muito mais difícil.” Harsh Chaturvedi, consultor independente do setor automotivo nos Emirados Árabes Unidos, salientou ao Rest of World que no Golfo Pérsico os compradores também começam a se afastar dos veículos elétricos quando eles atingem cinco anos. “O interesse dos clientes cai significativamente depois do quinto ano”, afirmou. “O quinto ano, portanto, se torna um ponto psicológico e comercial importante no mercado de elétricos usados.” Ele acrescentou que as fabricantes normalmente oferecem cobertura para as baterias por oito anos ou 160 mil quilômetros, e a substituição pode custar o equivalente a um terço do preço de um carro novo.
Russo observou que compradores chineses têm solicitado cada vez mais relatórios de inspeção das baterias, motores e sistemas eletrônicos antes de fechar negócio por um veículo elétrico usado. As concessionárias também estão investindo em equipamentos para realizar esses testes. E o que acontece se um elétrico deixa de encontrar compradores? O Rest of Word completa que seu valor passa a ser determinado pelo quanto as empresas de reciclagem estão dispostas a pagar pelos metais presentes em sua bateria.
Mais Lidas
Epoca Negócios