Carro voador brasileiro? Veja como funciona novo veículo flutuante da Embraer

Carro voador brasileiro? Veja como funciona novo veículo flutuante da Embraer

 

Fonte: Bandeira



A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer voltada a veículos elétricos de decolagem e pouso vertical, concluiu uma etapa considerada essencial no desenvolvimento de seu “carro voador”: os ensaios de voos pairados e de baixa velocidade com o protótipo de engenharia do eVTOL. Ao todo, foram 59 voos bem-sucedidos, com 2h27min33s acumulados, segundo a empresa.

Veja: Eve, da Embraer, conclui novos testes com 'carro voador' e abre caminho para voos mais longos; vídeo

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O eVTOL — sigla em inglês para aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical — funciona como uma espécie de híbrido entre helicóptero e avião. Na decolagem, usa rotores para gerar empuxo e subir verticalmente. Depois, no voo pairado, permanece estabilizado no ar, a uma altura segura, em posição relativamente fixa em relação ao solo. A próxima etapa será testar a transição para o voo horizontal, quando a aeronave passa a se deslocar sustentada pelas asas, como um avião convencional.

Segundo a Eve, os testes concluídos reforçaram a confiança nos modelos de controle, nas cargas estruturais e no sistema de aeropropulsão. A empresa informou que o protótipo demonstrou desempenho estável em voo pairado, comportamento consistente em manobras progressivamente mais complexas e bons resultados no gerenciamento das baterias.

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— Ao longo dos voos, confirmamos um desempenho estável e comportamento previsível dos sistemas de controle dentro do envelope avaliado, ao mesmo tempo, em que ampliamos nosso entendimento sobre cargas estruturais, aerodinâmica, propulsão e gerenciamento de energia, elementos fundamentais para a fase de transição e para o caminho rumo à certificação com os protótipos conformes — afirmou Johann Bordais, CEO da Eve.

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Os ensaios de baixa velocidade foram realizados abaixo de 15 nós, o equivalente a 27,78 km/h. Depois, as operações foram expandidas para cerca de 20 nós, ou 37,04 km/h, com manobras simultâneas nos quatro eixos de controle. O protótipo também atingiu 65,5 metros de altura e sustentou um tempo máximo de voo de 3 minutos e 48 segundos.

Protótipo de 'carro voador' da Embraer conclui etapa de testes de voo pairado

A Eve afirma que os níveis de ruído registrados permaneceram dentro das expectativas, enquanto o desempenho dos sistemas de propulsão e das baterias superou as projeções iniciais. A empresa planeja realizar 300 voos de teste neste ano, incluindo os 59 já concluídos.

Nas próximas semanas, o protótipo passará por ensaios em solo antes de iniciar, no segundo semestre de 2026, a fase de voos de transição. Essa é uma das etapas mais complexas do projeto, porque exige sincronizar os propulsores verticais, responsáveis pela sustentação, com as hélices horizontais, usadas para o voo de cruzeiro.

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— Essa correlação entre modelos e comportamento real é o que permite uma expansão disciplinada do envelope de voo. Com os ensaios em solo planejados para a próxima etapa, estaremos preparados para iniciar os voos de transição, em que validaremos a sincronização entre os propulsores de sustentação (lifter) e de avanço (pusher) antes de avançarmos para a fase de voo de cruzeiro — explicou Marcelo Basile, líder de testes da Eve.

Apesar do avanço, especialistas avaliam que o caminho até a operação comercial ainda depende de etapas importantes de certificação. Para Ricardo Fenelon Jr., sócio da FBR Advogados e ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a conclusão dos testes representa progresso, mas não significa que o processo esteja perto do fim.

— O processo de certificação tem várias etapas. Essa parte concluída é só uma etapa de várias. Mas significa que eles estão caminhando — diz ele.

A previsão da Eve é que o transporte de passageiros com o eVTOL comece em meados de 2028. No Brasil, a operação comercial deve envolver a Revo, parceira estratégica que prepara as primeiras rotas e o cronograma para o início do serviço.

A infraestrutura e a definição dos corredores aéreos são vistas como pontos-chave para transformar o projeto em uma alternativa de mobilidade urbana. A Eve afirma ter uma carteira global superior a 2.900 intenções de compra e mantém diálogo com a Anac e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

O avanço brasileiro ocorre em meio à corrida internacional pelos chamados “carros voadores”. Em maio de 2026, a americana Joby Aviation realizou um voo público de eVTOL em Nova York, conectando o Aeroporto Internacional JFK ao centro de Manhattan em menos de dez minutos, trajeto que pode levar até duas horas de carro.

O desafio, no entanto, vai além da tecnologia. Para que o modelo deixe de ser um serviço restrito ao nicho do táxi aéreo executivo, empresas como Eve e Joby terão de provar que conseguem operar com alta utilização das aeronaves, custos competitivos, regulação adequada e integração real ao cotidiano das cidades.