Michael Easy tenta mover os dedos e o punho que já não possui. Os músculos do membro residual ainda produzem sinais elétricos associados a essa intenção, e um implante colocado sob sua pele capta esses impulsos e os transforma em comandos para uma prótese robótica. Easy, carpinteiro de 32 anos que vive em Hastings, perto de Melbourne, foi o primeiro participante a receber o Phantom X, interface desenvolvida pela startup americana Phantom Neuro. O procedimento foi realizado em maio, mas os resultados iniciais só foram divulgados nesta terça-feira (20). Ele e outro voluntário são os primeiros participantes do estudo CYBORG, que avalia a segurança, o desempenho e a facilidade de uso do implante em pessoas com perda de membros superiores. Os procedimentos foram realizados no hospital Cabrini Health, em Melbourne, segundo o comunicado da Phantom Neuro. Como o implante transforma intenção em movimento O Phantom X tem aproximadamente 2 centímetros de largura por 10 centímetros de comprimento e fica sob a pele, sobre os músculos do membro residual. Duas fileiras de eletrodos são instaladas em uma estrutura flexível de silicone médico. Quando a pessoa tenta movimentar os dedos ou o punho ausentes, os músculos geram sinais elétricos. O implante registra essas informações, processa os dados e envia comandos sem fio para uma prótese compatível. Algoritmos de aprendizado de máquina associam os diferentes padrões musculares aos movimentos desejados. A Phantom Neuro desenvolve a interface de controle, não o braço robótico completo. O sistema foi projetado para funcionar com próteses produzidas por outras empresas, embora esses equipamentos não adotem um protocolo único de comunicação. Eletrodos instalados sobre a pele já são usados para controlar algumas próteses. Eles podem, porém, mudar de posição, sofrer interferência do suor e produzir ruídos quando o usuário se movimenta. Ao colocar o sensor sob a pele, a empresa pretende obter sinais mais estáveis e reduzir a necessidade de recalibração. Connor Glass, fundador e CEO da Phantom Neuro, disse à IEEE Spectrum que os sinais captados nos dois primeiros participantes permaneceram fortes e consistentes. Easy afirmou, em relato divulgado pela companhia, que o implante tornou o controle “mais fácil, fluido e rápido”. Primeiros testes em humanos O procedimento de Easy durou cerca de uma hora, com sedação leve. Ele relatou dor e sensibilidade nos primeiros dias e inchaço durante duas semanas. A implantação no segundo participante levou aproximadamente 45 minutos. De acordo com a empresa, nenhum dos dois procedimentos exigiu anestesia geral. A cirurgia cria uma pequena cavidade sob a pele para receber o dispositivo. Uma bobina instalada no centro do implante permite que ele receba energia de uma fonte externa, em um princípio semelhante ao utilizado por implantes cocleares. Os dois casos fazem parte de um estudo inicial de viabilidade, registrado na base ClinicalTrials.gov. O Phantom X continua experimental e não tem autorização para venda. A empresa ainda não apresentou resultados comparativos sobre ganho funcional, complicações, durabilidade ou desempenho em atividades cotidianas. O Phantom X consegue executar um mesmo movimento em velocidades diferentes, mas ainda não combina comandos simultâneos. Para girar o punho e mover os dedos, por exemplo, o usuário precisa realizar as ações em sequência, segundo a IEEE Spectrum. Mais Lidas
Carpinteiro consegue controlar braço robótico com os músculos após receber implante sob a pele
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