Carnaval sem vandalismo: às vésperas da folia, edifícios são cercados por grades e tapumes no Rio

 

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Mesmo os mais distraídos já notaram que o clima de carnaval domina a cidade. Logradouros enfeitados, sambas-enredo na trilha sonora e nomes de blocos na ponta da língua dão o tom às vésperas da folia oficial. Outro sinal inconfundível é a preparação para evitar atos de vandalismo: imóveis públicos, incluindo prédios históricos, e canteiros estão sendo cercados por grades e tapumes. A mudança na paisagem é notada principalmente na região central, que concentra os cortejos mais numerosos.

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Edifício Rio Metropolitan Center, na Avenida República do Chile

Márcia Foletto

De acordo com a Dream Factory, responsável pela produção e pela infraestrutura do carnaval de rua junto à Riotur, mais de 40 imóveis públicos foram gradeados para a folia, e 700 canteiros da cidade foram protegidos. A lista inclui o Centro Cultural Banco do Brasil, a Igreja da Candelária, a estátua de Noel Rosa (em Vila Isabel), o Cais do Valongo, o Edifício Capanema e cinco monumentos da Praça Tiradentes.

O GLOBO percorreu diversas vias do Centro e encontrou mais de dez prédios cercados. O edifício do Tribunal de Justiça, na Avenida Presidente Antônio Carlos, vedou portas e janelas com placas de alumínio, assim como o Centro Cultural da Procuradoria Geral do Estado, na Rua Primeiro de Março.

Agência do INSS, na Avenida Presidente Antônio Carlos

Márcia Foletto

Em frente à Praça XV, a histórica Igreja de Nossa Senhora do Carmo foi cercada por um gradil. Na Avenida Rio Branco, uma estrutura na cor branca chama a atenção em volta do Clube Naval. Já na Avenida República do Chile, placas de madeira pintadas de preto cobrem o térreo do Edifício Rio Metropolitan Center do chão ao teto. E na Torre Almirante, na Avenida Almirante Barroso, o acesso ficou restrito a uma portinhola em meio a um amplo mural de tapumes.

Torre Almirante, na Avenida Almirante Barroso

Márcia Foletto

A agência do INSS na Avenida Presidente Antônio Carlos, o prédio do Ministério da Fazenda, na Rua Almirante Barroso, e o Edifício Ventura, na Avenida República do Chile, também estão protegidos.

O Clube Naval, na Avenida Rio Branco

Márcia Foletto

Campanha na rua

O MetrôRio e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizam ação conjunta de conscientização sobre a importância da preservação dos bens culturais tombados durante o carnaval no Rio. A ação, chamada de “Quem samba cuida”, acontecerá nas estações do transporte, onde avisos sonoros gravados por artistas falam sobre boas práticas do uso dos espaços públicos e alertam contra atos de vandalismo. A Riotur e a Dream Factory também são parceiras.

Prédio do Tribunal de Justiça do Rio

Márcia Foletto

A campanha, que também será veiculada nas TVs dos trens e nas redes sociais da concessionária, orienta os foliões para não subirem, não urinarem ou depredarem os monumentos e demais bens históricos.

Um dos recados é do cantor baiano Léo Santana, que destaca as seguintes dicas: “Fala, family. Léo Santana, o gigante. Vai curtir um bloco? Utilize o transporte público para ir e voltar. O Iphan e o MetrôRio reforçam: o carnaval é pra curtir, mas com respeito! Quem samba cuida da cidade, seja carioca ou turista. Não suba em monumentos, use os banheiros químicos e não danifique as estações de metrô e nem os patrimônios. O carnaval é agora. A história é pra sempre!”. Também gravaram avisos sonoros os artistas Lexa e Pedro Luís.

Além do sistema metroviário, a campanha estará presente em pontos estratégicos próximos a bens tombados, especialmente nas áreas por onde passam os cortejos carnavalescos, como no Centro e na Zona Sul. Em alguns desses locais, o público poderá conhecer a história dos bens culturais por meio de lonas informativas instaladas nos cercamentos.

Para a superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Patricia Wanzeller, a participação dos foliões é decisiva para a proteção destes bens.

— Os monumentos históricos contam a história da cidade e do país. Preservá-los é um ato de respeito à nossa memória coletiva. O carnaval é uma manifestação cultural potente, que pode e deve acontecer com cuidado e responsabilidade em relação ao patrimônio.

Segundo o presidente da Riotur, Bernardo Fellows, o carnaval de Rua ocupa alguns dos espaços mais simbólicos da cidade, sendo a campanha um convite aos foliões celebrarem com consciência.

— Preservar os bens históricos é cuidar da memória, da identidade e do futuro do Rio. É possível curtir a festa com alegria e, ao mesmo tempo, com respeito ao nosso patrimônio cultural.

Para a gerente Comercial e Marketing do MetrôRio, Simone Pfeil, a campanha é uma oportunidade para reforçar a importância da preservação da cidade e da História do Rio:

— Veicular uma campanha sobre conservação do patrimônio público e do MetrôRio, que também é de todos os cariocas, além de ser um prazer, é um grande serviço que prestamos à cidade. Milhares de pessoas transitam pelas nossas estações todos os dias e serão impactadas por áudios de conscientização importantes, gravados por figuras públicas queridas e presentes no carnaval, o que torna a campanha ainda mais eficaz e bem assimilada.