Carnaval: quando a folia vira estresse para pets e como protegê-los do barulho
Enquanto ruas se enchem de música, fantasia e multidões, cães e gatos costumam viver o carnaval de forma bem diferente. O que para humanos é celebração pode se transformar, para os animais, em uma experiência de estresse extremo, medo e riscos à saúde. Ruídos intensos, calor, excesso de estímulos e mudanças abruptas na rotina estão entre os fatores que mais comprometem o bem-estar físico e emocional dos pets nesse período.
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Segundo Cleber Santos, especialista em comportamento animal e CEO do Grupo Comportpet, o carnaval já ocupa o segundo lugar entre as datas mais estressantes do ano para os animais, ficando atrás apenas do Ano Novo, marcado pelos fogos de artifício.
"O tutor precisa entender que o que é diversão para ele pode ser uma verdadeira tortura para o animal. Falta empatia em muitas situações. O pet não escolhe estar ali", afirma.
A seguir, Cleber lista sinais claros de que cães e gatos não devem acompanhar os tutores em bloquinhos e festas de rua, além de orientações práticas para atravessar a folia com mais segurança.
1. Sensibilidade extrema a sons altos
"Os cães possuem uma audição muito mais aguçada do que a humana. Apitos, caixas de som, batuques e gritos comuns nos bloquinhos podem causar estresse intenso, medo e até danos auditivos. Animais que já apresentam reações negativas a fogos de artifício ou trovões estão entre os mais vulneráveis, pois entram em estado de alerta muito rapidamente. Mesmo locais próximos aos blocos não são indicados. O animal não consegue identificar a origem do barulho, não entende que aquilo é temporário e passa a viver em alerta constante, o que impacta diretamente o emocional e o comportamento", explica.
2. Sinais de estresse, medo ou tentativa de fuga
"Tremores, respiração ofegante, choros, vocalizações excessivas, agressividade repentina ou tentativas de se esconder são sinais claros de sobrecarga emocional. Em ambientes cheios, com muitas pessoas e estímulos, o instinto de fuga pode ser acionado. Fuga não é desobediência, é desespero. Muitos acidentes graves acontecem porque o pet está tentando apenas sobreviver ao medo, correndo risco de atropelamentos, quedas ou ferimentos ao tentar escapar por portas, portões ou janelas", alerta.
3. Risco elevado de hipertermia e desidratação
"Os cães têm, em média, dois graus a mais de temperatura corporal do que os humanos. O calor excessivo, somado ao asfalto quente, à aglomeração e à dificuldade de acesso à água, pode levar rapidamente à hipertermia e à desidratação. Se está quente para você, está ainda pior para o pet. Algumas raças, como o Spitz Alemão, podem ter queda de glicose, desmaios e até convulsões em situações de calor intenso associado ao estresse emocional", detalha.
4. Exposição a perigos físicos invisíveis
"Vidros quebrados, lixo no chão, restos de comida, bebidas alcoólicas derramadas e objetos pontiagudos fazem parte dos riscos invisíveis do Carnaval de rua. Além disso, o excesso de pessoas aumenta o risco de pisoteamento e machucados. Fantasias, adereços e acessórios também podem causar dermatites, feridas, assaduras e desconforto térmico. Muitas vezes, o tutor só percebe o problema quando o dano já está feito", pontua Cleber.
5. Mudanças bruscas na rotina e excesso de pessoas
"Reuniões com muitos amigos e familiares, casas cheias e movimentação fora do comum afetam diretamente o emocional dos pets. Animais que vivem em ambientes tranquilos podem se sentir acuados, inseguros ou reagir de forma defensiva ao tentar proteger o território. Muitas casas ficam vazias o ano inteiro e, de repente, recebem 20 pessoas para uma festa de carnaval, por exemplo. O animal não está preparado emocionalmente para essa mudança brusca de rotina e estímulos, o que pode gerar ansiedade, medo e comportamentos indesejados", diz.
6. Perigo de ingestão de alimentos durante os blocos
"Em bloquinhos de Carnaval, é comum haver restos de comida no chão, além de pessoas oferecendo petiscos sem autorização do tutor. Alimentos como chocolate, doces, carnes temperadas, ossos, frituras e até bebidas alcoólicas podem ser ingeridos rapidamente pelo pet, causando vômitos, diarreia, intoxicação e, em casos mais graves, risco de vida. O animal come por impulso, não por escolha. Por isso, levar o pet para ambientes com comida espalhada representa um risco real e imediato à saúde", alerta o especialista.
7. Risco de ferimentos com objetos nas ruas
"O chão dos blocos costuma ficar coberto de vidro quebrado, latinhas, tampinhas, espetinhos e outros objetos cortantes. Mesmo com atenção, é impossível controlar todos os passos do animal em meio à multidão. Cortes nas patas, perfurações, ferimentos na boca e infecções são ocorrências comuns nesse tipo de ambiente. Muitas lesões só são percebidas horas depois, quando o pet já está mancando ou sentindo dor", acrescenta.
Como proteger o pet durante o carnaval
A orientação é clara: se a programação incluir festas fora de casa, o mais seguro é garantir que o animal fique em um ambiente preparado para atravessar a folia. Creches, hotéis pet ou serviços de day use estruturados oferecem supervisão adequada, rotina estável e redução significativa de riscos físicos e emocionais.
Para quem vai passar o feriado em casa, pequenos cuidados fazem grande diferença. "Manter portas e janelas fechadas ajuda a reduzir os ruídos externos e evita fugas, enquanto abafar o som da rua com televisão ligada, música ambiente ou até o barulho do ventilador contribui para diminuir o impacto dos estímulos sonoros. Também é importante criar um espaço seguro para o pet, com caminhas, brinquedos e água sempre disponíveis, permitindo que ele se recolha quando se sentir ameaçado", observa Cleber.
"O carnaval pode ser divertido para todos, mas só quando o tutor entende que o bem-estar do pet vem antes da fantasia ou da foto. Amor também é saber deixar o animal em paz e fazer escolhas responsáveis", finaliza.
