Carnaval a Cavalo de Bonfim (MG) reúne 15 mil foliões e revive batalha medieval
Em Bonfim, a pouco mais de 90 quilômetros de Belo Horizonte, o Carnaval a Cavalo celebra uma tradição de 186 anos. Entre o domingo e a terça-feira, 40 cavaleiros e amazonas se vestem de veludo com bordados dourados, luvas e máscaras e encenam uma batalha entre cristãos e mouros pelo domínio da Península Ibérica, durante a Idade Média.
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A celebração foi trazida para o Brasil por um padre português que se instalou na cidade mineira no século XIX. Com o tempo, a celebração foi incorporada ao Carnaval e é a principal atração turística de Bonfim, atraindo cerca de 15 mil pessoas por dia, o dobro da população do município.
Cavaleiros e amazonas se vestem de veludo e encenam uma batalha
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Segundo o presidente do Clube Carnavalesco Bonfim, Thiago Rafael Avelar, o grupo encena uma batalha medieval, mas com serpentina e confete.
"A gente manda a serpentina para o público, o público devolve essa serpentina para a gente fazendo aquela festa maravilhosa em cima dos cavalos em praça pública. No terceiro dia de carnaval, que é o último dia, todos nós descemos dos cavalos e confraternizamos com o público fazendo a famosa batalha de confete, que representa pelas guerras antigas a conquista do local. Então a gente desce dos animais, faz a batalha de confete com o público, dá uma volta todos a pé com o público, volta, pega os animais e despede do público com um lenço branco."
A preparação para a festa começa meses antes, com a fabricação das vestimentas tanto dos participantes, quanto dos cavalos, que são feitas por artesãos locais. O trajeto também é decorado com serpentinas e balões, tudo isso embalado por marchinhas antigas.
Celebração foi trazida para o Brasil por um padre português
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Thiago conta que nem a concorrência com outros carnavais de cidades próximas afasta os jovens da festa tradicional. Segundo ele, o número de participantes é limitado por falta de espaço e que há uma extensa fila de espera, com quase 70 pessoas, e que o costume ultrapassa gerações.
"Nós somos 40 pessoas fixas hoje no Carnaval e temos uma lista de espera com quase 70 pessoas. Então à medida que um cavaleiro diz isso, a gente chama a lista de espera para compor esse grupo de 40 pessoas. Nós não temos mais gente em praça hoje pelo espaço. O espaço é pequeno para colocar vários animais ali, se não, fica muito embolado.'
Ao final da festa os cavaleiros e as amazonas recebem uma medalha pela participação nos desfiles.
Além do Carnaval a Cavalo, Bonfim também tem cortejos de blocos de rua, matinês infantis e shows.
