Carnaval 2027: 'A memória do rei e o sumiço de Dona Júlia' é o enredo da Imperatriz

 

Fonte:


“A memória do rei e o sumiço de Dona Júlia” é o enredo da Imperatriz Leopoldinense para o carnaval 2027. Em seu quinto desfile consecutivo pela escola no Grupo Especial, o carnavalesco Leandro Vieira propõe a inesperada história de uma boneca que desapareceu por mais de 30 anos, em Pernambuco, ao ser levada para um museu na década de 1970, e só reencontrou com seu maracatu de origem durante os preparativos e os ritos do carnaval de 2014.

Dona Júlia, a calunga que protagoniza o enredo assinado por Leandro, foi realizada a mando do babalorixá Eudes Chagas para ser um dos objetos sagrados do maracatu Porto Rico, onde ele foi coroado rei em 1967. Na boneca, há 60 anos, foi ancestralizado o egun (espírito) de Maria Júlia do Nascimento, a histórica rainha do maracatu Elefante, falecida em 1962, e popularmente conhecida como Dona Santa.

Calungas são figuras centrais e veneradas dentro das tradições dos maracatus de Pernambuco. São consideradas elementos sagrados que representam a proteção de ancestrais e esta é a razão para que a volta de uma calunga perdida seja um momento de grande celebração e realização de rituais.

Após ser levada a um museu e desaparecer misteriosamente, a calunga reapareceu depois de três décadas, ao ser deixada por uma estudante num terreiro em Olinda, sob a alegação de que o objeto “assombrava” a sua casa.

Cartaz do enredo "A memória do rei e o sumiço de Dona Júlia", da Imperatriz Leopoldinense para 2027

Divulgação

A trama foi descoberta pelo carnavalesco em suas pesquisas debruçadas sobre o cotidiano do Brasil popular e ganhou novo capítulo quando um telejornal pernambucano noticiou, em 2014, o paradeiro de uma boneca sem procedência e um babalorixá em busca de seus proprietários. Com sua imagem exibida na TV, a boneca, Dona Júlia, foi recuperada ao ser reconhecida pelos mais antigos integrantes de seu maracatu de origem.

É a história particular de uma dessas bonecas sagradas – sua origem, o sumiço, o reencontro e a reiniciação espiritual de seus axés para voltar às ruas – o caminho narrativo de uma proposta que une as pesquisas realizadas pelo carnavalesco a elementos do imaginário afro-brasileiro.

– Como enredo, ele amplia o olhar sobre as tradições dos maracatus de baque virado, revelando-as como espaços para a manutenção de ritos associados à coroação dos reis do Congo e às devoções particulares marcadas por aspectos espirituais, nem sempre tão bem difundidos, como o culto aos eguns e o encantamento dos objetos – afirma Leandro.

Em 2027, a Imperatriz Leopoldinense será a última escola a desfilar na segunda-feira de carnaval, dia 8 de fevereiro.