Cariocas apoiam reforço na segurança, mas pedem ajustes em horários e expansão da Força Municipais para outros bairros
A Força Municipal de Segurança, tropa de elite da Guarda Municipal do Rio, fez sua estreia nas ruas ontem com a missão de coibir roubos e furtos no Jardim de Alah, em Ipanema, Zona Sul, e no entorno do Terminal Gentileza e da rodoviária, na região Portuária. A presença dos agentes, armados e com câmeras corporais, foi elogiada pela população, mas também suscitou cobranças por integração maior com as forças estaduais para reforçar o policiamento em outros horários e locais da cidade.
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No Leblon, em alguns momentos, integrantes da Força Municipal e do programa Segurança Presente foram vistos nas mesmas áreas. Outra observação feita sobre a atuação dos agentes armados diz respeito ao horário de funcionamento. No Leblon, lojistas e moradores foram unânimes em apontar a preferência pelo monitoramento ostensivo a partir das 18h, momento considerado crítico tanto para roubos a pedestres quanto para furtos de produtos do comércio local.
Na esquina das avenidas Afrânio de Melo Franco e Ataulfo de Paiva, no Leblon, o jornaleiro Felipe Gomes, que há dez anos trabalha no local, disse ver com bons olhos a chegada dos novos agentes. No entanto, ele destacou que o momento mais crítico ocorre quando a viatura do programa Zona Sul Presente deixa a esquina. É nessa hora, contou, que os casos de furtos e roubos aumentam:
— Sei que as pessoas acham que, por estarmos em um dos pontos mais privilegiados da Zona Sul, não passamos por esse tipo de situação. Mas aqui é direto. Eles ficam rondando as pessoas e os comércios. Furto de celular acontece aos montes. Passam de moto ou bicicleta e levam o aparelho. Aqui levam até caixas de incenso, chinelos e o que mais estiver pendurado. Cheguei ao ponto de deixar um pedaço de madeira aqui para intimidá-los.
Uma funcionária de uma farmácia na Ataulfo de Paiva, que preferiu não se identificar, disse que comerciantes da região vivem em constante medo ao anoitecer. Além dos furtos, funcionários relatam ameaças frequentes. Ela contou que espera que o novo programa ajude a melhorar a segurança nas ruas do bairro.
— No domingo passado, quando estava fechando a loja, entraram dois meninos aqui. A única viatura estava em outra esquina, e não deu tempo de correr até lá. Eles já estavam dentro da loja. Se eu saísse, seria pior. Vieram para cima de mim. Eu estava com o telefone para ligar para a central da empresa e para a polícia. Eles saíram, mas depois voltaram e tentaram levar produtos. Queria que essa elite da guarda ficasse aqui depois das 18h, no horário em que estamos fechando — disse.
De tarde, agentes da Força Municipal conduziram um homem para a delegaci. A equipe realizava o policiamento na Avenida Ataulfo de Paiva, próxima ao Jardim de Alah quando percebeu um homem dirigindo uma motocicleta sem placa. Ao abordarem o motociclista, foi constatado que ele não possuía carteira de habilitação. A ocorrência foi registrada na 14ª DP (Leblon).
Guardas para mais bairros
Já nos arredores da Rodoviária Novo Rio, o clima foi mais de surpresa com a novidade dos agentes armados nas ruas. Morador de Vaz Lobo, no subúrbio carioca, o funcionário público Roberto Macedo afirmou que havia ouvido “por alto” sobre o novo programa. Ele lembrou, porém, que a região da rodoviária sempre foi marcada por furtos frequentes. Apesar de apoiar a iniciativa, espera que a atuação não fique restrita ao Centro e à Zona Sul.
— É importante vermos essas iniciativas, mas tomara que a prefeitura olhe também para outros bairros. Madureira, Irajá e Vaz Lobo também têm assaltos aos montes e não é possível que isso não seja levado em consideração. Vamos torcer para que dê tudo certo dessa vez. O Rio precisa disso — disse.
Ajustes no efetivo e em horários
De acordo com a prefeitura, a nova tropa de elite vai atuar em locais e horários com maior índice de roubo e furto, inclusive com policiamento noturno: as primeiras 22 áreas já foram definidas. No lançamento do programa, tanto o prefeito Eduardo Paes quanto o secretário municipal de Segurança Urbana, Brenno Carnevale, afirmaram que a ideia da prefeitura é implantar o serviço de forma gradual, com ajustes no efetivo e nos horários de atuação sempre que necessário. Ontem, foi anunciado que em breve serão abertas novas 600 vagas para o treinamento de guardas municipais para a tropa armada.
Paes comentou sobre a falta de confiança da população do Rio em relação à segurança pública. Segundo ele, nos últimos anos diferentes governos apresentaram “soluções mágicas”, sem resultados efetivos.
— A população do Rio chegou a um momento em que parou de acreditar na possibilidade de a gente reverter essa situação. Mas é possível. Dá para fazer — afirmou.
Carnevale destacou que recuperar a confiança da população é uma das principais premissas da Força Municipal. Segundo ele, os agentes passaram por seleção rigorosa, treinamento intensivo e atuam com monitoramento em tempo real por meio de câmeras corporais e rastreamento por GPS.
— O programa é focado principalmente no cotidiano das pessoas: onde elas circulam, estudam, trabalham, se divertem e utilizam o transporte público. São nesses lugares que a população vem sofrendo com furtos e roubos. Ao colocar nas ruas uma força bem formada, bem selecionada e com atuação transparente e estrategicamente planejada, damos às pessoas a possibilidade de voltar a confiar — afirmou.
Ainda de acordo com Carnevale, a atuação da Força Municipal será avaliada de forma contínua, com reuniões periódicas para analisar resultados e fazer ajustes necessários na estratégia de patrulhamento.
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