Cardi B, Queen e cinema: DJ brasileira revela pedido inusitado para setlist de cerimônia de cremação
A DJ brasileira Scheila Santos, que atua na cena eletrônica internacional e vive atualmente em Londres, passou por uma das experiências mais inesperadas de sua carreira ao receber um convite completamente fora do comum. Ela foi procurada para montar o setlist musical de uma cerimônia de cremação, com um pedido claro da família: nada de músicas tristes ou religiosas. A proposta era que a trilha sonora refletisse a personalidade irreverente de quem estava sendo homenageado.
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Ao recordar o primeiro contato, Scheila conta que demorou a acreditar que o pedido era real. "Quando li a mensagem, minha reação foi rir de nervoso. Pensei que fosse uma brincadeira, porque nunca ninguém tinha me pedido algo assim. Precisei reler para entender que era sério", relembra.
Após a conversa inicial, a DJ diz ter compreendido que a família queria se afastar de qualquer formalidade tradicional. "Eles me explicaram que não queriam um clima pesado. Disseram que ele era uma pessoa alegre, irreverente, e que a despedida precisava ter a cara dele, mesmo que isso parecesse estranho para outras pessoas", explica.
Entre as músicas solicitadas, algumas chamaram atenção justamente por serem improváveis para uma cerimônia de cremação. "Quando vi Cardi B na lista, eu travei. Tinha 'I Like It', tinha Queen, tinha música de filme. Nada combinava com a ideia que a gente tem desse tipo de cerimônia", conta. Segundo Scheila, além da faixa de Cardi B, também foram pedidas 'Don’t Stop Me Now', do Queen, e 'This Is Me', da trilha do filme O Rei do Show.
A DJ afirma que precisou desconstruir seus próprios limites profissionais antes de aceitar o trabalho. "Parei para pensar se eu estava preparada emocionalmente para isso. Não era sobre tocar bem ou fazer uma seleção criativa. Era sobre entender que aquela música carregava um peso muito maior. Eu não estava lidando com público, estava lidando com uma história de vida", afirma.
Ela relata que a montagem do setlist exigiu uma escuta atenta e uma sensibilidade diferente de tudo o que já havia vivenciado. "Respeitei exatamente a ordem que a família pediu. Pensei em como cada música seria sentida naquele espaço, naquele momento. Não era para causar choque, nem estranhamento. Era para que todos reconhecessem quem ele foi até no último som", detalha. Para Scheila, o cuidado estava em equilibrar o inusitado com o respeito.
Segundo a DJ, a experiência transformou completamente a forma como ela enxerga o papel da música fora dos ambientes tradicionais. "A gente cresce associando música a festa, pista, palco. Ali eu entendi que a música também pode acompanhar despedidas, pode acolher o silêncio e até aliviar a dor. Ela vira uma extensão da memória", reflete.
Ao relembrar o trabalho, Scheila diz que aquele set não foi apenas mais um projeto profissional, mas um marco pessoal. "Não foi um set para animar ninguém. Foi um set para honrar alguém. Isso muda totalmente a responsabilidade que você carrega como artista", pontua.
Ela conclui dizendo que, apesar do estranhamento inicial, faria tudo de novo se fosse preciso."Se a música consegue traduzir quem alguém foi em vida, então ela também pode ser um último gesto de liberdade. Para mim, naquele dia, a música não foi sobre som. Foi sobre respeito."
