'Caras renomadíssimos': Quem são o ator e o diretor citados por Flávio Bolsonaro em pedido de dinheiro a Vorcaro
Vazou uma mensagem de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro na qual o político cobra do banqueiro investimento para o filme "Dark horse", sobre Jair Bolsonaro, pai de Flávio. No áudio, Flávio reforça a importância do pagamento em dia à equipe do longa, sublinhando Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh, ator protagonista e diretor do filme, respectivamente.
"Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus (Nowrasteh, diretor do filme), os caras pô, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim. Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme pode ter o efeito elevado a menos um aí, cara", afirmou o senador do PL.
Quem é Jim Caviezel?
Jim Caviezel, 57 anos, tem uma carreira extensa. Seu primeiro papel foi no filme "Garotos de programa", de Gus Van Saint. Com River Phoenix e Keanu Reeves nos papéis principais, o filme, de 1991, conta a história de dois jovens que atravessam o estado de Idaho, em busca da mãe de um deles, se envolvendo com problemas ligados à prostituição. Caviezel tem um papel pequeno, de um vendedor de passagens aéreas, e aparece brevemente em uma das cenas.
Teve papéis pequenos em filmes importantes, como "Wyatt Earp" (1994), de Lawrence Kasdan, "G.I. Jane" (1997), de Ridley Scott, e "Um domingo qualquer" (1999), de Oliver Stone. Seu primeiro papel de maior relevância foi no longa "Além da linha vermelha" (1998), de Terrence Malick, no qual ele vivia o Soldado Witt, um dos personagens centrais da trama. Contracenou ao lado de nomes como Sean Penn, Adrien Brody, George Clooney e Woody Harrelson.
Jim Caviezel no filme 'Além da linha vermelha'
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Seu primeiro protagonista de um filme relevante foi John Sullivan, de "Alta frequência", longa de Gregory Hoblit lançado em 2000. Depois, protagonizou ao lado de Jennifer Lopez o filme "Olhar de anjo", de Luis Mandoki, exibido em 2001, que também tem a brasileira Sônia Braga no elenco. No ano seguinte, Caviezel fez "O conde de Monte Cristo", de Kevin Reynolds, interpretando o personagem-título.
Jim Caviezel e Dagmara Dominczyk em cena do longa 'O conde de Monte Cristo'
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Mas foi em 2004 que Jim Caviezel viveu o ápice de sua carreira. Ele foi escolhido por Mel Gibson para viver Jesus Cristo no filme "A paixão de Cristo", projeto que fez sucesso mas também gerou controvérsias na época. O filme foca nas últimas doze horas de Jesus antes de ser crucificado. "A paixão de Cristo" é o filme cristão de maior bilheteria de todos os tempos.
Depois do trabalho com Mel Gibson, esteve em outros projetos grandes, como "Déja vu" (2006), com Denzel Washington, e "Rota de fuga", de 2013, com Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Mas nunca mais esteve no topo como esteve na época em que interpretou Jesus Cristo. Nos últimos anos, esteve associado a filmes religiosos ou de temática conservadora, como "Paulo, apóstolo de Cristo" (2018) e "Som da liberdade" (2023).
Jim Caviezel interpreta Jesus Cristo no longa 'A paixão de Cristo', de Mel Gibson
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Quem é Cyrus Nowrasteh?
Americano de ascendência iraniana, o cineasta de 69 anos já havia trabalhado com Jim Caviezel em "O apedrejamento de Soraya M.", de (2008), adaptação de um best-seller que conta a história de uma mulher apedrejada no Irã, e em "Sequestro internacional", de 2019. Nowrasteh começou a carreira como roteirista da série "The Equalizer", da CBS. Também escreveu o piloto do programa "La femme Nikita" (1996), da USA Network.
Nowrasteh durante as gravações do filme 'O apedrejamento de Soraya M.'
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Seguiu trabalhando em diversos projetos como roteirista, incluindo a polêmica minissérie "O caminho para o 11 de setembro", que dramatiza os eventos que culminaram no ataque terrorista que derrubou as Torres Gêmeas, em Nova York, naquele ano, matando milhares de inocentes. Na época, o projeto foi bastante criticado. Especialistas disseram que a minissérie distorceu os acontecimentos, apresentando uma versão alinhada aos interesses do Partido Conservador dos Estados Unidos.
Cyrus Nowrasteh estreou como diretor em "Ameaça velada", de 1989, filme que também escreveu. Seu segundo trabalho foi o longa "Norma Jean, Jack e eu", de 1998, no qual ele imagina uma trama que envolve Marilyn Monroe e John F. Kennedy caso ambos não tivessem morrido precocemente. O filme de baixo orçamento foi alvo de crítica negativas. "O melhor aspecto desta produção bastante modesta são as belas paisagens externas, dignas de cartão-postal. No restante, o diálogo cada vez mais enfadonho parece uma peça teatral filmada. O diretor e veterano roteirista de TV Cyrus Nowrasteh consegue criar pouca atmosfera ou ritmo", escreveu a Variety.
"O apedrejamento de Soraya M.", de 2008, também foi alvo de críticas por ter sido financiado parcialmente pela Blackwater, uma empresa militar privada. Agentes da Blackwater mataram 17 civis iraquianos no episódio que ficou conhecido como massacre da Praça Nisour, em Bagdá, em 2007. Eles chegaram a ser presos, mas foram perdoados por Donald Trump, já presidente dos Estados Unidos, em 2020.
