Capital do México afunda mais de 20 centímetros por ano e declínio é visível até do espaço, mostra estudo
Um estudo feito através de imagens de satélite da NASA mostram que a capital do México, a Cidade do México, maior cidade da América do Norte, está afundando em uma velocidade tão grande que seu declínio é visível do espaço.
A taxa é de quase 25 centímetros anualmente, se tornando uma das cidades que afunda mais rapidamente no mundo todo, gerando receio sobre a estrutura do local nos próximos anos.
Em entrevista à agência Associated Press, Enrique Cabral, pesquisador de geofísica da Universidade Nacional Autônoma do México e um dos autores da pesquisa, afirma que isso 'prejudica parte da infraestrutura essencial da Cidade do México, como o metrô, o sistema de drenagem, o abastecimento de água, o sistema de água potável, as moradias e as ruas'.
A Cidade do México possui mais de sete mil quilômetros quadrados e 22 milhões de habitantes. Ela foi originalmente erguida no leito de um antigo lago, fato evidente no fato de muitas de suas ruas serem, antigamente, canais.
O problema, então, iniciou pelo bombeamento de água embaixo da terra e o desenvolvimento da cidade, que fez o aquífero ser drenado. Com isso, o terreno passou a entrar em um declínio por mais de um século.
Durante o final do século XIX, o afundamento era de cerca de cinco centímetros por anos. Só que, em 1950, esse número saltou para 45 centímetros, de acordo com a ABC News.
Algumas estruturas já mostram a inclinação, caso da Catedral Metropolitana, cuja construção começou em 1573.
Panorama aéreo da Cidade do México.
Divulgação/Governo do México
Os especialistas fizeram os dados com base em um satélite da NASA entre outubro de 2025 e janeiro de 2026. Foi possível ver, a cada 12 dias, uma mudança no movimento no solo.
Eles descobriram que algumas partes da cidade, incluindo o aeroporto central e o monumento Anjo da Independência, estão sofrendo uma taxa de queda de 0,78 polegadas por mês.
Isso equivale a uma taxa de 24 centímetros por ano, o que significa que, em menos de cem anos, essas regiões sofreram um afundamento de mais de 12 metros. Em algumas áreas, a mudança de altitude chegou a 39 metros.
'É basicamente uma documentação de todas essas mudanças dentro de uma cidade. Você consegue ver a magnitude total do problema', disse o cientista do satélite da NASA Paul Rosen, ao descrever a eficácia do reconhecimento espacial.
O afundamento não é o único problema. Especialistas temem que a redução do aquífero também possa resultar em uma escassez de água em algum momento.
Por conta dessas circunstâncias, a equipe tenta entender um panorama das taxas de subsidência em cada edifício da cidade para saber como controlar os danos.
