Cão Orelha: 'Período mais difícil de nossas vidas', diz família de adolescente que passou de investigado a testemunha

 

Fonte:


A família de um adolescente que passou de investigado a testemunha na apuração policial sobre a morte do cachorro Orelha se manifestou após a notícia da conclusão do inquérito do caso. Em comunicado, parentes do jovem questionaram o boicote a empresa convocado nas redes sociais e a "incitação de violência" por conta da repercussão do caso. Também afirmam ter encerrado o "período mais difícil" da vida deles e apontam que a "verdade prevaleceu".

Encantadora: Macaca resgatada em Manaus posa para fotos ao chegar em Santuário em MG

De agressão a desfecho policial: Infográfico detalha caso do cão Orelha; veja

"Recebemos essa conclusão com o alívio de quem vê restabelecido o senso de justiça em relação ao nosso filho. Isso não apaga o sofrimento terrível vivido. Nossa família atravessou semanas de angústia, medo, desgaste emocional e pressão psicológica", diz a nota.

"Nossa família atravessou semanas de angústia, medo, desgaste emocional e pressão psicológica. Fomos alvos de boatos, mentiras, incitação de violência e crimes digitais que jamais deveriam fazer parte de uma sociedade que preza pelo respeito à vida de humanos e animais", completa.

Os familiares do jovem também afirmam que a "indignação social contra a morte de um cão comunitário é legítima". Por outro lado, defendem que "há uma grande diferença quando a manifestação ultrapassa os limites do bom senso ao criar narrativas difamatórias que geram ameaças à vida de um inocente".

"A partir de agora, nosso foco é seguir em frente: cuidar da nossa família, mitigar os impactos pessoais deixados por esse terrível episódio e recompor, com dignidade, o que foi abalado. Buscaremos a reparação legal dos danos sofridos não por revanchismo ou rancor, mas como exercício de cidadania, transparência e afirmação de que crimes digitais e difamações não podem ser naturalizados", afirma o posicionamento.

Fim do inquérito

O inquérito foi encerrado pela Polícia Civil de Santa Catarina na terça-feira. A corporação aponta um outro adolescente como o único agressor de Orelha e pede a internação do jovem — o que é equivalente a uma prisão de adulto. Os advogados dele negam as acusações. Além disso, foram indiciados três maiores por coação a testemunha neste caso.

Conhecido pela doçura, Orelha vivia há cerca de dez anos na Praia Brava, onde era cuidado por moradores e comerciantes e considerado um mascote do bairro. Encontrado gravemente ferido em uma área de mata no mês passado, o animal foi levado a uma clínica veterinária, mas, devido à extensão das lesões, passou por eutanásia.

A polícia não revelou se um mesmo adolescente está envolvido nos dois casos. Informações como os nomes, as idades e a localização dos suspeitos não foram divulgadas por conta do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo pessoas abaixo de 18 anos.

Morte do animal

De acordo com os laudos da Polícia Científica, o cachorro sofreu uma pancada contundente na cabeça, "que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa". Ele foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30 da manhã.

A Polícia Civil afirma que ouviu 24 testemunhas e analisou mais de mil horas de filmagens na região, em 14 equipamentos que captaram imagens, para chegar ao autor do crime.

Também foram identificadas provas como a roupa utilizada pelo autor do crime, que foi registrada em filmagens. Um software francês obtido pela corporação analisou a localização do responsável durante o ataque fatal a Orelha.

A investigação foi concluída após o depoimento do autor da agressão à Orelha, durante esta semana. A Polícia Civil, então, encaminhou o caso para apreciação do Ministério Público e Judiciário.