Cão Orelha: casal faz boletim de ocorrência após receber ameaças ao ser confundido com pais de suspeito

 

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Um casal de Santa Catarina alega ter sofrido ameaças nas redes sociais após ser confundido com os pais de um dos adolescentes que foram apontados como agressores do cão Orelha, encontrado morto a pauladas no dia 15 de janeiro. Os dois registraram boletim de ocorrência, na Polícia Civil, contra mais de 100 perfis.

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Por se tratar de um caso envolvendo menores de idade, os nomes dos envolvidos não são divulgados pelas autoridades.

Segundo a família, em publicações nas redes sociais, o nome de um dos suspeitos aparece vinculado ao da mãe de outro adolescente. A foto de um dos filhos do casal, que é menor de idade, chegou a ser usada em publicações com ataques, relatam. Mensagens com ofensas e ameaças também foram enviadas diretamente aos dois.

"Seu filho vai pagar. Verme imundo. Tomar um monte de tiro na cara", escreveu um. "Que o povo faça justiça com as próprias mãos e aconteça o mesmo ou pior com vocês", enviou outra pessoa.

Segundo a família, a mãe do adolescente confundido é sócia da mãe do investigado, o que teria motivado a associação errado.

A família diz ter identificado professores, empresários, funcionários públicos e influenciadores entre os perfis que fizeram ameaças. Segundo os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, que representam o casal, alguns perfis continham o nome completo da pessoas e até mesmo o local de trabalho.

"A falsa sensação de impunidade na internet faz com que muitos acreditem que podem difamar, perseguir e atacar inocentes sem enfrentar consequências, o que não corresponde à realidade (...) A defesa reforça que cada autor das ofensas pode ser individualmente responsabilizado, especialmente porque a identificação dos perfis é simples e tecnicamente viável", dizem os advogados em nota.

Entenda o caso

O caso é investigado pela Polícia Civil de Santa Catarina, que já identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento na agressão. Segundo a corporação, as apurações avançaram a partir da análise de imagens de câmeras de segurança e de depoimentos de moradores. O cão foi encontrado gravemente ferido em uma área de mata no início do ano, chegou a ser levado a atendimento veterinário, mas não resistiu e passou por eutanásia.

Dois dos suspeitos estão em Florianópolis e foram alvos de mandados de busca e apreensão nesta segunda-feira (26). Os outros dois estão nos Estados Unidos, em viagem previamente programada, segundo a corporação.

Orelha era considerado um mascote da Praia Brava, onde morava havia cerca de dez anos e era alimentado diariamente por moradores. No sábado passado (17), um primeiro protesto já havia reunido pessoas no bairro para pedir justiça.

Além das manifestações de rua, o caso também chegou ao Legislativo estadual. O deputado estadual Mário Motta (PSD) defendeu publicamente a criação de uma estátua em homenagem ao animal. Para ele, a iniciativa seria uma forma de preservar a memória de Orelha e transformar a indignação coletiva em um símbolo permanente de combate à violência contra animais.

“Não há mais espaço para esse tipo de crime em nossa sociedade. Queremos justiça para o Orelha e para todos os animais vítimas da violência humana”, escreveu o parlamentar, que também divulgou um abaixo-assinado para viabilizar o projeto.

A Delegacia de Proteção Animal segue responsável pelo caso. A delegada Mardjoli Valcareggi afirmou que os suspeitos já foram localizados e que a investigação está na fase de oitivas. Ela também destacou a importância da colaboração da população, lembrando que crimes contra animais costumam ser difíceis de apurar.