Cantora da Bulgária vence Eurovision 2026, e Israel conquista segundo lugar no festival, sob protestos

 

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A Bulgária venceu o concurso Eurovision 2026 — o maior evento musical televisionado ao vivo do mundo — depois que a cantora Dara, de 27 anos, conquistou a vitória com a música "Bangaranga". É a primeira vez que a nação noa região dos Bálcãs alcança o posto máximo nos 70 anos de história do concurso. O país entrou no Eurovision apenas em 2005 e havia ficado de fora das três últimas edições.

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Descrita por sua intérprete como uma "música pop com elementos folclóricos", "Bangaranga" é um hino festivo pulsante inspirado nos kukeri, protagonistas de um antigo ritual búlgaro em que homens percorrem vilarejos vestidos com fantasias peludas, sinos e máscaras de animais.

O significado exato de "bangaranga" é "uma energia especial que todo mundo tem dentro de si, uma sensação de que tudo é possível", como explicou Dara no palco.

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A surpreendente vitória da Bulgária significa que a União Europeia de Radiodifusão (EBU, na sigla em inglês) e as demais emissoras participantes evitaram uma grande dor de cabeça. Caso Israel, que ficou em segundo lugar, tivesse vencido, os organizadores enfrentariam questionamentos difíceis sobre onde sediar a edição de 2027 do concurso.

A comemoração dos 70 anos do extravagante evento musical aconteceu em Viena, depois que o representante austríaco de estilo operístico JJ venceu no ano passado. Cerca de 10 mil espectadores acompanharam o show na arena Wiener Stadthalle enquanto a audiência televisiva esperada ultrapassava 100 milhões de pessoas. Foi a terceira vez que a Áustria sediou o evento.

Controvérsias

A grande final do Eurovision aconteceu sob fortes medidas de segurança, num contexto marcado por um boicote político. Espanha, Islândia, Irlanda, Países Baixos e Eslovênia não estiveram presentes no festival em protesto contra Israel. Mais de mil artistas participaram do boicote. E mais. A 70ª edição do evento não foi transmitida na Espanha, na Irlanda e na Eslovênia.

Com tudo isso, organizar o Eurovision se tornou, neste ano, um "desafio complexo", como afirmou o vice-chefe da polícia de Viena, Dieter Csefan. Segundo ele, o país trabalhou com o FBI contra possíveis ameaças virtuais. As autoridades revisaram os perfis dos 15 mil funcionários envolvidos. As 3,5 mil toneladas de equipamentos transportadas para a arena Stadthalle foram submetidas a controles minuciosos. A final reuniu participantes de 25 países, o menor número desde a ampliação do concurso em 2004.

A polícia austríaca informou que cerca de duas mil pessoas participaram, mais cedo, neste sábado (16), de um protesto no centro de Viena contra a inclusão de Israel no evento. Na noite da final, a representante israelense, "Michelle" — uma canção pop romântica sobre um relacionamento tóxico interpretada por Noam Bettan —, terminou em segundo lugar após forte desempenho no voto popular.

A emissora austríaca ORF havia informado previamente que não utilizaria oficialmente a chamada tecnologia "anti-vaia" para os telespectadores em casa, recurso empregado em algumas edições anteriores. Ainda assim, a reação do público à apresentação de Bettan foi calorosa em comparação à recepção dada à cantora Yuval Raphael, também israelense, em 2025.

Fãs comparecem à cerimônia de abertura do Eurovision 2026, em Viena

MAX SLOVENCIK / AFP

Houve algumas vaias durante a divulgação da pontuação do público para Israel, em resposta a um grupo de fãs que continuava entoando o nome do país. Nas duas edições anteriores, marcadas por forte polarização, Israel teve bom desempenho no voto popular, alcançando o segundo lugar igualmente em 2025.

Emissoras de outros países demonstraram preocupação com a intensa promoção dos artistas israelenses nas redes sociais do governo do país, o que levou à mudança das regras de votação para a edição de Viena. Neste ano, os fãs puderam votar individualmente até dez vezes, abaixo das 20 permitidas anteriormente. Era permitido votar dez vezes na mesma música, mas não na canção do próprio país do votante.

Complicações políticas

As complicações políticas em torno do Eurovision vêm de longe. De acordo com reportagem publicada pelo "New York Times", já no ano passado, diplomatas israelenses contataram autoridades e emissoras de toda a Europa para tratar do festival. Segundo o jornal, emissoras haviam acusado o governo israelense de influenciar os resultados por meio de uma campanha de votação em massa.

"Estou um pouco surpreso sobre por que a embaixada está investigando esse assunto", escreveu Stefan Eiriksson, chefe da emissora nacional da Islândia, a um diplomata israelense que queria discutir o Eurovision em dezembro.

Essa pressão diplomática sobre Israel no Eurovision foi apenas um aspecto de um drama que se desenrolou ao longo do último ano em torno do evento cultural mais assistido do mundo. Para o governo israelense, o Eurovision teria virado uma oportunidade, por meio de boas apresentações de seus cantores, de melhorar a reputação do país, como destacou a reportagem do "New York Times".

Uma investigação do jornal revelou uma campanha organizada pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que adotou o Eurovision como uma ferramenta de soft power. Com isso, os esforços de Israel para influenciar a votação do festival foram mais abrangentes e começaram anos antes do que se sabia. Mesmo antes da controvérsia sobre a votação de anos passados vir à tona, registros financeiros mostram que Israel gastou pelo menos US$ 1 milhão em marketing para o evento.