Cantor Netinho de Paula tem data de falecimento alterada por motivações políticas: entenda o motivo.

Cantor Netinho de Paula tem data de falecimento alterada por motivações políticas: entenda o motivo. - Foto
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Netinho de Paula — Salvador (BA) — A família do cantor optou por um gesto simbólico politicamente carregado ao registrar a data de sua morte como “12+1/10/2026“, evitando o número 13, associado ao PT, durante missa de sétimo dia realizada nesta segunda-feira (19) na Igreja do Bonfim, em Salvador. A iniciativa inusitada chamou atenção de fãs e reforçou a marca pessoal do artista, conhecido por declarações contrárias ao Partido dos Trabalhadores inclusive nas redes sociais. Netinho de Paula morreu em 13 de outubro de 2026 em Salvador, aos 56 anos, em decorrência de complicações de um linfoma não Hodgkin. A missa — aberta ao público, ao contrário do velório reservado — acabou virando palco de um episódio que sintetiza a vida pública de um dos nomes mais emblemáticos da música brasileira. Durante a cerimônia, familiares de Netinho evitaram qualquer menção ao número 13 nas homenagens, um hábito que o cantor já carregava em vida e multiplicou em datas marcantes, como 13 de março, 13 de abril e 13 de junho. O ato esquivou-se do dígito recorrendo à expressão “12+1”, provocando debates quentes nas redes sociais e novos questionamentos sobre a influência da polarização política nas manifestações religiosas e culturais do Brasil. O que se sabe sobre a decisão da família de Netinho de Paula em Salvador? Na missa de sétimo dia, o símbolo do “12+1” ocupou posição central nas homenagens ao cantor. Familiares e amigos próximos fizeram questão de ressaltar que a escolha de não mencionar a data real — 13 de outubro — foi um desejo do próprio Netinho e, depois, incorporado como tradição pela família. Citações ao número 13 nos painéis, faixas e até cartões foram substituídas pela expressão matemática, repetida desde que Netinho tornou pública sua aversão ao número nas redes, principalmente após 2018, quando a crise política provocou realinhamentos em boa parte do meio artístico. Em Salvador, cidade natal do artista e local onde construiu grande parte de sua trajetória, a repercussão foi imediata. Segundo pessoas presentes, o clima no Bonfim era de respeito, mas a singularidade do gesto não passou despercebida entre moradores, fiéis e famílias vizinhas que souberam da escolha ao longo da manhã. “Foi emblemático”, resume um dos organizadores da cerimônia ao DE — Diário do Estado. Por que o número 13 era evitado por Netinho de Paula na Bahia? O número 13 tornou-se alvo de repúdio de Netinho após sua aproximação com pautas conservadoras e a rejeição explícita ao Partido dos Trabalhadores, cuja legenda tem justamente o 13 como número oficial em urnas. Em publicações no Instagram, acompanhadas de vídeos ou stories, o cantor frequentemente relatava o “incômodo” com o número e, em ocasiões pessoais e profissionais, fazia questão de adotar o “12+1”. Durante sua campanha para deputado federal pela Bahia, essa rejeição já era visível — inclusive seu número de urna evitava sequências associadas ao partido adversário. O gesto de transformar a recusa ao número em marca registrada, porém, saltou aos olhos durante a missa desse dia 19. O público baiano, já acostumado aos posicionamentos políticos do cantor, observou o prolongamento da polarização até seus últimos ritos. Em um universo regional que acompanha de perto os movimentos dos artistas, o episódio gerou intenso debate em fóruns, grupos familiares e até comunidades de bairro, refletindo o grau de envolvimento da Bahia com suas personalidades públicas. Como foi a repercussão nas redes sociais sobre o caso de Netinho de Paula? Assim que as imagens e homenagens ao artista circularam, as redes sociais logo se transformaram em arenas de posicionamentos opostos. Internautas ironizaram a decisão da família, destacando que nos registros oficiais o número 13 permaneceria. Uma seguidora, em comentário que somou mais de 2 mil curtidas, escreveu: “Bolsonarismo é doença, CID F29”. A atriz Leila Germano, bastante ativa no debate político online, também reagiu: “A doença de espírito dessa família, meu pai…”. O post da missa, compartilhado no perfil de Andréia Matos, acumulou centenas de reações em menos de 12 horas. Outros perfis, ligados ao cenário de famosos e de entretenimento de Salvador, lamentaram o “uso da religião como palco para disputas políticas”. Comentários destacaram a ironia de Netinho ter falecido exatamente no dia 13 e citaram “cúmulos de alienação” e “misericórdia” pela mistura entre fé e embates partidários. Em uma cidade que já produziu nomes polêmicos no meio musical e político, o caso reacendeu discussões antigas sobre a dificuldade de separar religião, arte e ideologia. Entre os fãs que acompanham a cena de música negra no estado, o debate foi ainda mais acirrado porque Netinho personificava, para muitos, o perfil da renovação conservadora do pagode baiano. Ainda assim, não faltaram mensagens de apoio, com citações ao seu legado cultural e gestos de solidariedade à família, principalmente vindos de páginas ligadas ao cenário cristão e conservador do Nordeste. O que diziam os amigos e ex-colegas de Netinho sobre sua postura política? Netinho de Paula foi um dos poucos artistas de sua geração a assumir, com veemência, posições políticas publicamente desde o ciclo eleitoral de 2018, quando passou a adotar discursos a favor de pautas conservadoras e declarações contundentes contra o PT e partidos de esquerda. Ex-integrantes do Negritude Júnior, grupo de pagode que o consagrou nos anos 1990, relataram admiração pela autenticidade do colega, ainda que discordassem de suas posições. “Ele era fiel até nas pequenas coisas. O caso do número 13 era apenas uma das muitas formas com que encarava a vida sem meias palavras”, relatou um ex-companheiro do grupo musical. A postura de Netinho também fez com que tivesse relações mais distantes com figuras históricas do entretenimento baiano. Alguns colegas de carreira, que preferiram não se identificar, relataram a dificuldade de manter o vínculo diante do crescimento das divergências ideológicas. Por outro lado, artistas do pagode gospel baiano, segmento em ascensão na região, apontaram Netinho como inspiração pela força e coerência nas convicções. Segundo apuração do DE, debates semelhantes já ocorreram com outros famosos de Salvador, demonstrando que a cidade costuma absorver intensamente as experiências de seus artistas nas questões públicas. Em outras ocasiões, como o recente falecimento da atriz Lua Blanco em território baiano, manifestações políticas em homenagens também repercutiram de forma ampla. Quais os detalhes do falecimento e do legado de Netinho de Paula na cultura baiana? Netinho de Paula foi internado em Salvador após diagnóstico de linfoma não Hodgkin, quadro confirmado pelo hospital na noite do dia 13 de outubro. O velório aconteceu de forma reservada em cerimônia ocorrida em 14 de outubro, com presença de familiares e poucos amigos. O corpo foi cremado, seguindo decisão do próprio cantor registrada em testamento — outro dado que denota seu perfil de decisões firmes e recusa a padrões convencionais, inclusive no trato com os rituais de despedida. Entre 1990 e 2026, Netinho construiu carreira ímpar, acumulando milhões de discos vendidos e uma base sólida de fãs na Bahia, sobretudo em bairros populares de Salvador como Cabula, Liberdade e Cajazeiras. O artista também era figura constante em programas de TV e redes locais, onde debatia pautas urbanas, música negra e projetos sociais. Como a cidade de Salvador e a Bahia reagem ao episódio envolvendo Netinho de Paula? A reação à homenagem do “12+1” atravessou as redes e se refletiu pelas ruas e rádios de Salvador. Em comunidades de periferia, onde a música de Netinho marcou décadas, muitos declararam compreensão ao gesto, creditando o hábito à personalidade “autêntica e polêmica” do artista. Em bairros mais centrais, a repercussão foi mais crítica, com parte dos moradores relacionando o episódio a discussões sobre intolerância e excessos do ambiente político regional. Grupos de fãs, que mantêm perfis dedicados à memória do pagode baiano, divulgaram textos enaltecendo a postura reta do cantor e sua “confiança nas próprias convicções até o fim”. Já entidades ligadas à cultura negra baiana lembraram o peso do artista na valorização dos ritmos afro-brasileiros, ainda que tenham ressaltado divergências nas últimas posições políticas do músico. O episódio revela um traço típico de Salvador, cidade onde as marcas das disputas políticas se imiscuem no cotidiano tanto nos palcos quanto nas igrejas e rodas de samba. Mesmo diante de críticas, a escolha da família reacendeu a discussão sobre o papel dos famosos como catalisadores da identidade cultural e política local — e sobre os limites da personalização dos ritos funerários na Bahia. Quem ficará com os direitos autorais e qual herança Netinho de Paula deixa para a música baiana? Pouco após o falecimento, especulações sobre o destino dos direitos autorais de Netinho ganharam força nas mídias regionais. De acordo com pessoas próximas, a herança inclui imóveis em Salvador e São Paulo, participação em arrecadação de músicas consagradas como “Beijo Geladinho” e “Tanajura” — sucessos que ultrapassaram a marca de 30 milhões de plays em plataformas digitais ao longo dos anos. Conforme divulgado pelo DE, familiares próximos já teriam iniciado tratativas para definir o futuro do catálogo musical, que movimentou cerca de R$ 5 milhões em royalties nos últimos quatro anos. Além do acervo de direitos, a memória de Netinho permanece presente em projetos sociais mantidos em bairros populares da capital baiana, com destaque para iniciativas ligadas a jovens músicos. Em meio a todas as polêmicas, discussões e posturas firmes, o legado deixado por Netinho de Paula para a cultura baiana mistura musicalidade, autenticidade e a inegável influência das paixões políticas que marcaram sua trajetória — uma marca que, como no último adeus, continuará gerando discussão em toda Salvador. 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