Cannes estende tapete vermelho para maior festival de cinema do mundo e pode garantir vencedor no Oscar

 

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Com um ambiente artístico vibrante, mas também um reflexo da turbulência mundial, o maior festival de cinema do mundo começa nesta terça-feira (12) em Cannes, com mais de 100 filmes na programação, 22 dos quais concorrem à Palma de Ouro. A 79ª edição do Festival de Cannes, que acontece até 23 de maio no famoso balneário da Riviera Francesa (Côte d'Azur), terá início com a cerimônia de abertura às 19h (14h no horário de Brasília).

Festival de Cannes: Veja concorrentes à Palma de Ouro

Uma dos novidades da edição 2026 diz respeito ao vencedor da Palma de Ouro, que pode ser habilitado ao Oscar de melhor filme internacional sem passar pela seleção interna de seu país de origem. As novas regras da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood para a categoria permitem que vencedores de alguns festivais, como Cannes, Veneza, Berlim, Sundance e Toronto, sejam habilitados para a premiação. Isso foi estabelecido para evitar casos como "Anatomia de uma queda", que conquistou a Palma de Ouro, mas não foi o filme selecionado pela França para representar o país no Oscar.

O cineasta neozelandês Peter Jackson, diretor da trilogia "O Senhor dos Anéis", receberá uma Palma de Ouro honorária. "Ele transformou para sempre o cinema de Hollywood e seu conceito de espetáculo", disse o delegado-geral do festival, Thierry Frémaux.

Nas próximas duas semanas, muitas estrelas da sétima arte brilharão no tapete vermelho, como os espanhóis Javier Bardem e Penélope Cruz, que competem em filmes diferentes, ou outro casal de atores na vida real, Michael Fassbender e Alicia Vikander, que atuam no filme "Hope", do sul-coreano Na Hong-jin.

Um total de 22 filmes concorrem ao prêmio máximo, dos quais apenas cinco são dirigidos por mulheres. Entre os indicados estão diretores que figuram regularmente nesta seleta lista, como o russo Andrey Zvyagintsev ("Leviatã") e o iraniano Asghar Farhadi ("A Separação"), ambos vencedores de múltiplos prêmios. Para dois deles, o japonês Hirokazu Kore-eda ("Assunto de Família") e o romeno Cristian Mungiu ("4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias"), seria a segunda Palma de Ouro.

Com "Natal amargo", o diretor espanhol Pedro Almodóvar disputa a coroa em Cannes pela sétima vez. Embora o festival já tenha reconhecido seus filmes em diversas ocasiões, com prêmios de atuação e roteiro, a Palma de Ouro lhe escapa.

O cineasta sul-coreano Park Chan-wook preside o júri deste ano, que inclui, entre outros, a atriz Demi Moore, a diretora chinesa vencedora do Oscar Chloé Zhao e o cineasta chileno Diego Céspedes. Eles serão responsáveis por conceder a próxima Palma de Ouro ao sucessor de "Foi Apenas Um Acidente", do diretor iraniano Jafar Panahi.

"Acredito que os prêmios devem ser concedidos a obras que perdurem por 50 ou 100 anos", afirmou o diretor sul-coreano em entrevista à AFP. Ele acredita que um filme deve ser julgado por "seus próprios méritos", sem levar em conta "fatores externos" como "nacionalidade, gênero ou ideologia política".

A geopolítica sempre acaba influenciando o festival, embora o evento seja frequentemente criticado por não se posicionar suficientemente sobre conflitos ou crises.

"O Festival de Cannes é frequentemente solicitado a assumir um papel, a refletir sobre questões que não lhe dizem respeito diretamente", declarou Frémaux. Segundo ele, a instituição não deveria se misturar com política.

Há alguns meses, o Festival de Berlim esteve envolvido em uma grande controvérsia a respeito de sua dimensão política e da suposta indiferença à guerra em Gaza.