Canil clandestino é fechado em Campo Grande; animais seriam vendidos na Barra
O debate nacional sobre maus-tratos a animais, reacendido após a morte do cachorro comunitário Orelha, em Santa Catarina, ganhou novo desdobramento no Rio. Em meio à comoção provocada pelo caso, a Comissão de Defesa e Proteção dos Animais da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), a OAB/Barra e policiais do 6º Batalhão da PolÃcia Militar participaram de uma operação que resultou no fechamento de um canil clandestino em Campo Grande. Os animais eram vendidos na Barra da Tijuca.
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No local, que funcionava de forma irregular em uma residência, foram encontrados 11 cães de raça mantidos em espaço inadequado. Segundo a apuração, a responsável pelo canil cruzava os animais e vendia os filhotes antes mesmo da vacinação, principalmente na Praça do Ó, na Barra da Tijuca.
Os cães resgatados foram encaminhados para a ONG Garra, onde recebem atendimento veterinário e passarão por processo de reabilitação antes de serem colocados para adoção.
Presidente da Comissão de Defesa e Proteção dos Animais da Alerj, o deputado Marcelo Dino (União) esteve pessoalmente no local após receber denúncias de maus-tratos. De acordo com a comissão, o canil não possuÃa qualquer tipo de licença para funcionamento e a proprietária já tinha antecedentes policiais. Ela foi conduzida à delegacia, prestou depoimento e deve responder pelo crime de maus-tratos a animais.
— Constatamos que os cães não estavam sendo cuidados de forma digna. Foi mais um canil clandestino que conseguimos fechar. Vamos continuar atuando para combater esse tipo de prática, que infelizmente ainda é recorrente — afirmou Dino.
A ação ocorre em um momento de maior atenção pública para crimes contra animais. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) obtidos pelo GLOBO mostram que, apenas no ano passado, foram abertos 4.919 processos por maus-tratos em todo o paÃs — uma média de 13 novos casos por dia.
O episódio envolvendo Orelha, em Santa Catarina, intensificou a mobilização de ativistas e parlamentares, que defendem o endurecimento da legislação e maior rigor do Judiciário na punição dos responsáveis. Para a apresentadora e ativista Luisa Mell, embora avanços recentes tenham sido registrados, o arcabouço legal ainda não é suficiente para coibir crimes mais graves.
Relembre o caso Orelha
Conhecido pela docilidade, Orelha vivia havia cerca de dez anos na Praia Brava, em Santa Catarina. O cachorro comunitário era cuidado por moradores e comerciantes da região e havia se tornado uma mascote do bairro. Em janeiro, foi encontrado gravemente ferido em uma área de mata. Levado a uma clÃnica veterinária, não resistiu à gravidade das lesões e passou por eutanásia.
A PolÃcia Civil de Santa Catarina identificou ao menos quatro adolescentes como suspeitos das agressões e apura a participação de adultos em uma tentativa de interferência nas investigações. Três familiares dos jovens — apontados como um advogado e dois empresários — foram indiciados por coação no curso do processo, sob suspeita de tentar intimidar um vigilante que testemunhou o ataque.
A perÃcia constatou que o animal sofreu múltiplas agressões e uma pancada na cabeça, embora o objeto utilizado não tenha sido localizado. Dois dos adolescentes investigados viajaram para os Estados Unidos após o episódio. Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os nomes não foram divulgados.
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