'Canetas emagrecedoras': PF e PRF já apreenderam quase 120 mil unidades em todo o país
De janeiro até agora, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal apreenderam quase 120 mil ampolas e canetas emagrecedoras em todo o país. De acordo com dados da PF, entre 2024 e 2025, houve um salto de quase 10.000% nas apreensões de canetas, passando de 609 unidades em 2024 para quase 61 mil apreendidas no ano passado.
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De acordo com a PRF, a maior parte das apreensões ocorreu na fronteira do Paraná com o Paraguai, sendo Foz do Iguaçu um dos principais pontos de atenção. Destaque também para as divisas do Mato Grosso do Sul com o Paraguai. Ainda segundo a PRF, as apreensões ocorrem, principalmente, nas BRs 277, 369 e 163.
O contrabando desse material na fronteira com o Paraguai deve movimentar mais de R$ 2 bilhões em 2026, segundo o Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF). A entidade aponta ainda que apenas entre 5% e 10% dos produtos ilegais são interceptados pelas autoridades brasileiras.
Thiago de Castro, chefe do setor de enfrentamento aos crimes transfronteiriços da PRF, explica que a alta demanda pelos emagrecedores e o maior valor agregado ao medicamento têm feito das canetas o novo foco dos criminosos.
"Sem dúvida nenhuma esse mercado ele está sendo explorado por organizações criminosas. O trabalho de levantamento, de análise de dados, é contínuo. Não é um trabalho que se esgota, ele tem que ser feito e refeito diariamente. Com essas últimas apreensões, a gente começou a observar um pouco uma mudança, não é mais uma pessoa que está trazendo para uso próprio, é uma nova frente de atuação, é uma nova modalidade criminosa, que já é uma realidade, é presente", afirmou.
Cassio Thyone, membro do conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica que o grande desafio da fiscalização está no tamanho da fronteira brasileira e no enfrentamento às vendas ilegais pela internet. Ele defende campanhas de publicidade e conscientização relacionadas aos riscos do uso irregular desses medicamentos.
"A gente tem uma fronteira imensa. Você pode entrar por rios, rodovias e aeroportos. Não temos outra escolha a não ser um trabalho de inteligência e em conjunto. Ainda tem o enfrentamento à venda ilegal feita pela internet, inclusive alerta às pessoas sobre o risco que elas correm em usar os produtos sem orientação médica", disse.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os medicamentos sem registro no Brasil não podem ser comercializados em nenhuma hipótese.
Os medicamentos devem ser adquiridos somente em farmácias e drogarias ou sites oficiais. Qualquer venda fora destes ambientes é considerada clandestina, sem garantia de origem, composição, qualidade e conservação.
