Canetas emagrecedoras: interromper e reiniciar o tratamento torna o remédio menos eficaz, diz estudo

 

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Interromper e recomeçar o uso de análogos de GLP-1, classe de medicamentos usada para diabetes e obesidade conhecida como “canetas emagrecedoras”, pode reduzir a eficácia do remédio. É o que aponta um novo estudo conduzido por pesquisadores da Escola de Medicina Perelman, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, publicado na revista científica Journal of Clinical Investigation Insight.

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O trabalho, feito com camundongos com sobrepeso, mostrou que, cada vez que os animais tinham o tratamento interrompido e reiniciado, eles perdiam menos peso em comparação com a redução inicial. Para Thomas H. Leung, autor do estudo e professor da universidade, os resultados indicam que a eficácia dos medicamentos “pode depender fortemente da consistência”.

“Iniciar o GLP-1 pode ser uma daquelas decisões que as pessoas precisam discutir e tomar com seu médico sabendo que o uso do medicamento exige um compromisso de longo prazo, e pode não ser a melhor opção para pessoas que têm dificuldade em tomar uma medicação diariamente ou semanalmente”, disse o autor em comunicado.

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O pesquisador afirma que cerca de metade dos usuários que iniciam um tratamento com um análogo do GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, o interrompe em até dois anos, e que muitos retomam o uso depois. Essa tendência levou os cientistas a estudarem se isso poderia gerar um efeito na resposta do organismo à ação do fármaco.

Esses remédios simulam a ação do hormônio GLP-1, que tem receptores em diversas partes do corpo. No pâncreas, por exemplo, essa interação aumenta a produção de insulina, motivo pelo qual são usados para diabetes. Já no estômago, o GLP-1 reduz a velocidade da digestão da comida e, no cérebro, ativa a sensação de saciedade. Esses mecanismos levam a pessoa a sentir menos fome e, consequentemente, reduzir as calorias ingeridas por dia.

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Os cientistas americanos estudaram dois grupos de camundongos com sobrepeso ao longo de quatro meses. O primeiro recebeu semaglutida, o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, de forma contínua durante todo o período. Já o segundo passou por três ciclos de interromper e recomeçar o medicamento a cada duas semanas durante os primeiros dois meses. Depois, também fez o uso contínuo pelo restante do período.

Os pesquisadores observaram que o segundo grupo recuperou o peso perdido rapidamente em cada duas semanas sem o tratamento. Além disso, quando o medicamento era reiniciado, os animais não conseguiam retornar totalmente ao peso anterior. Mesmo após 62 dias de uso contínuo ao final do estudo, o grupo permaneceu com um peso 20% maior do que o de uso contínuo.

Os responsáveis pelo estudo afirmam que esse comportamento não é algo incomum entre os remédios. O minoxidil, por exemplo, muito usado para estimular o crescimento capilar, também apresenta resultados melhores quando usado de forma contínua. Para os especialistas, os análogos de GLP-1 podem se encaixar na mesma categoria.

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Os cientistas sugerem ainda motivos que levam a essa “perda de eficácia”. Entre eles, citam que a perda de peso com os remédios geralmente consiste em 40% músculo e 60% gordura. No entanto, quando se interrompe o medicamento, o indivíduo costuma recuperar o peso, só que quase que exclusivamente gordura. Dessa forma, ao retomar o tratamento depois, a proporção do corpo já é diferente.

“O corpo parece receber um sinal biológico de que não pode se dar ao luxo de perder mais massa muscular. Uma vez que essa porcentagem de músculo atinge um ponto baixo, o corpo pode resistir a novas perdas de peso para se proteger”, avalia Leung.

Agora, os pesquisadores explicam que os achados do estudo precisam ser confirmados em mais estudos, especialmente em trabalhos maiores com seres humanos. Ainda assim, consideram que os resultados atuais são suficientes para reforçar a importância da atividade física e do acompanhamento nutricional entre pacientes que usam os análogos de GLP-1 para preservar a massa muscular.