Candidatos homônimos causam confusão em eleição no Alasca

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O senador republicano Dan Sullivan busca a reeleiçãoRedação DW A disputa pelo Senado no estado americano do Alasca nem sequer terminou, mas uma investigação criminal já foi aberta pela Procuradoria Federal para apurar a candidatura de Dan J. Sullivan, professor aposentado que concorre sem filiação partidária e tem o mesmo nome do atual senador republicano Dan Sullivan.Reportagem publicada nesta semana pelo New York Times indica que o candidato homônimo teria sido recrutado por aliados da democrata e também candidata Mary Peltola.

Segundo o jornal, sua candidatura teria como único objetivo confundir eleitores republicanos na cédula de votação, levando parte deles a escolher o candidato errado e retirando votos cruciais do senador que tenta a reeleição.O principal procurador federal do Alasca, Michael Heyman, confirmou nesta sexta-feira (30.10) a existência da investigação, que corre em paralelo a uma ofensiva política e jurídica mais ampla.

O governador republicano do Estado, Mike Dunleavy, determinou uma apuração estadual sobre o caso e afirmou que eventuais irregularidades poderão afetar até mesmo a posse do futuro ocupante da vaga no Senado.O governo do presidente Donald Trump também apresentou na quinta-feira uma versão revisada de uma ação judicial para bloquear os resultados eleitorais do Alasca caso Dan Sullivan seja derrotado por pequena margem.O Departamento de Justiça confirmou ainda que está buscando separar as cédulas em que Dan J.

Sullivan foi escolhido para investigar possível "confusão" entre os eleitores. Diferentemente do Brasil, nos Estados Unidos os candidatos não podem escolher um "nome de urna", e a votação é feita em cédulas de papel.O caso dos dois Dan SullivanA controvérsia gira em torno da presença de dois candidatos chamados Dan Sullivan na disputa pelo Senado.Na cédula eleitoral do Alasca aparecem o senador republicano Daniel S.

Sullivan, identificado no papel como ocupante do cargo, e o professor aposentado Daniel J. Sullivan Jr., além de Mary Peltola e um quarto candidato sem chances relevantes de vitória.Segundo o New York Times, assessores de Peltola trabalharam com advogados da campanha para recrutar candidatos homônimos capazes de retirar votos do senador republicano.

O escolhido teria sido Daniel J. Sullivan, professor aposentado de uma pequena vila acessível apenas por via aérea ou marítima.A ex-gerente da campanha de Peltola, Elisa Rios, demitida em agosto, disse ao jornal que a candidata tinha conhecimento da iniciativa.

Peltola nega."Eu não sabia nada sobre qualquer outro candidato na cédula além de mim e do ocupante do cargo. Isso é tudo o que sempre soube.

Não tenho interesse em enganar eleitores", afirmou.Daniel J. Sullivan Jr., por sua vez, sustenta há meses que não foi incentivado por democratas a disputar a eleição e nega qualquer contato com a campanha de Peltola.

"Zero, nenhum, nada", declarou em junho, após anunciar sua candidatura.Em outras entrevistas à imprensa americana, ele afirmou que seu objetivo não é causar confusão nem retirar votos do senador republicano.Disputa pode definir o controle do SenadoA eleição no Alasca está entre as mais observadas do país por seu potencial de influenciar o controle do Senado.Atualmente, os republicanos ocupam 53 cadeiras, contra 47 dos democratas.

Uma disputa judicial prolongada no Alasca poderia deixar indefinida por semanas a composição da futura maioria da Casa.Donald Trump vinha pressionando o Departamento de Justiça a agir no caso mesmo antes da publicação da reportagem. O governo busca impedir preventivamente que o Estado do Alasca certifique uma eventual vitória de Peltola.Na petição apresentada pelo Departamento de Justiça, os advogados do governo afirmam que o recrutamento de Daniel J.

Sullivan Jr. teve como objetivo confundir eleitores e beneficiar a candidata democrata."Eles orquestraram sua candidatura fraudulenta com o propósito de enganar os eleitores do Alasca e eleger Peltola", escreveram.Os advogados de Peltola pediram à juíza federal Sharon Gleason que rejeite a ação, sob o argumento de que o governo federal não tem autoridade legal para mover o processo.A iniciativa do Departamento de Justiça também enfrenta obstáculos na legislação e na jurisprudência eleitoral americana.No início deste ano, o órgão regulador das eleições do Alasca tentou impedir que Daniel J.

Sullivan Jr. aparecesse na cédula, concluindo que sua candidatura não havia sido apresentada de boa-fé e tinha o objetivo de "confundir ou enganar" eleitores.Os tribunais estaduais, porém, reverteram a decisão.

Os juízes observaram que a legislação estadual não exige que uma candidatura seja registrada de boa-fé.A Constituição dos Estados Unidos atribui principalmente aos estados, e não ao governo federal, a responsabilidade pela administração das eleições.Quais crimes poderiam ser investigadosAinda não está claro quais crimes poderiam eventualmente ser imputados aos envolvidos.Promotores poderiam tentar enquadrar o caso em uma lei federal de 1871 que criminaliza conspirações destinadas a privar cidadãos de direitos constitucionais, incluindo o direito ao voto.A legislação, criada originalmente para combater a atuação da Ku Klux Klan, proíbe conspirações para "ferir, oprimir, ameaçar ou intimidar" pessoas no exercício de seus direitos.Especialistas também apontam um precedente recente relacionado à desinformação eleitoral.Em um caso iniciado durante o governo do ex-presidente Joe Biden, um influenciador digital foi condenado, em 2023, por conspiração contra direitos civis após divulgar informações falsas sobre a eleição presidencial de 2016 nas redes sociais.A condenação foi anulada em 2025 pela Corte de Apelações do 2º Circuito dos Estados Unidos, que concluiu não haver provas suficientes de conspiração entre duas ou mais pessoas.

O tribunal não chegou a decidir se a Primeira Emenda protegeria mensagens enganosas dirigidas a eleitores.gq (AP, Reuters, OTS)

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