Candidato declara máscara mortuária de Mário de Andrade por R$ 150 mil - QTU Questões do Universo

Candidato declara máscara mortuária de Mário de Andrade por R$ 150 mil

Fonte: Bandeira da fonte

O candidato ao cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro Professor Mauro Rosa (PL) declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que possui uma máscara mortuária do escritor modernista Mário de Andrade, avaliada em R$ 150 mil.

O Valor analisou os mais de 80 mil bens e patrimônios declarados pelos quase 21 mil candidatos registrados no TSE para as eleições 2026 com o auxílio de inteligência artificial sob supervisão humana.

Máscara mortuária é uma cópia – normalmente feita em gesso ou cera – de uma pessoa já falecida.
Utilizada por escultores desde o Egito Antigo, a peça é utilizada nos últimos séculos como uma lembrança do falecido, explica a Enciclopédia Britânica.

Tela do
Reprodução/Divulgacand
Ao Valor, Rosa afirmou ser “um homem dedicado à Educação e à Cultura”.
Ele explica que comprou a peça sobre o escritor modernista brasileiro há mais de 20 anos em um leilão após a morte de seu antigo colecionador.

Além da máscara, o candidato do PL acumula R$ 350 mil em outras obras artísticas:
Esculturas de Ceschiatti e Arte Sacra: R$ 30.000,00
Obras de arte: quadros de Carlos Bracher, Guignard, Portinari, Di Cavalcanti, Anita Malfati e Bonadei: R$ 120.000,00
Uma biblioteca particular de 8.000 volumes, dos quais ao menos 500 são consideradas obras raras: R$ 200.000,00
No total, Rosa declarou um valor de R$ 1.000.000,00 em bens, ao juntar os produtos supracitados e um apartamento em Belo Horizonte, avaliado em R$ 400.000,00, e três veículos, avaliados nos seguintes preços: R$ 40.000,00, R$ 20.000,00 e R$ 40.000,00.

O político se descreve nas redes sociais como “católico, sionista e colecionador de armas de fogo”.
Ao ser questionado sobre a falta de declaração sobre sua coleção de armas de fogo, Rosa respondeu, em um primeiro momento, que foi "puro esquecimento", mas disse que suas são cadastradas na Polícia Federal.
Posteriormente, ele afirmou que um dos motivos de não declarar a coleção foi porque ele não "quer que ladrão saiba".
Patrimônio declarado no TSE subiu 354%
Na última eleição geral, o candidato concorreu também a deputado federal, mas pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN), que se tornou o Mobilização Nacional (Mobiliza).

Em 2022, Rosa declarou ao TSE um patrimônio de R$ 220 mil, formado por 20% de um imóvel em Belo Horizonte e uma reserva financeira de R$ 20 mil.
Ele não se elegeu naquele ano.
Já em 2026, seus bens declarados somam R$ 1 milhão — um aumento de 354% em relação ao valor informado quatro anos antes.
“Na ocasião, não me ocorreu declarar os livros e as obras de arte.
Eu concorri sem orientação jurídica à época.
Foi uma candidatura muito amadora.
Todos os bens e objetos que tenho hoje são os mesmos de 2022.
O único acréscimo foi o micro-ônibus, que é do ano de 1986 e custou R$ 40 mil”, respondeu Rosa ao Valor, ao ser questionado sobre a diferença de valores declarados nas duas eleições em que concorreu.

*Estagiária sob supervisão de Diogo Max