Candidado de esquerda garante vaga no 2º turno no Peru e enfrentará Fujimori em disputa polarizada
O candidato de esquerda Roberto Sánchez se classificou para o segundo turno das eleições presidenciais do Peru e enfrentará, em junho, a direitista Keiko Fujimori, após alcançar nesta quarta-feira uma vantagem irreversível com 99,94% das urnas apuradas. A definição ocorre em meio a um pedido de mais de cinco anos de prisão para o candidato, apresentado pelo Ministério Público peruano por supostas irregularidades em sua campanha.
Veja: Principal autoridade eleitoral do Peru realizará auditoria informática do primeiro turno presidencial
Contexto: Peru vai às urnas com Keiko Fujimori na liderança em meio a crise política e aumento da violência
Sánchez se consolidou no segundo lugar, superando o candidato de extrema direita Rafael López Aliaga por 18.799 votos. As atas do primeiro turno de 12 de abril que ainda faltam ser revisadas correspondem a 16.500 votos, segundo os resultados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol) divulgados em seu site.
O candidato da coalizão Juntos pelo Peru (JP) somou 12% dos apoios, contra 11,9% de López Aliaga. A apuração avança com atraso devido às denúncias de irregularidades na votação.
Initial plugin text
Keiko Fujimori, do partido Força Popular, lidera os resultados do primeiro turno com 17,1% dos votos.
— Estamos preparados para os desafios que nosso povo colocar — declarou Sánchez a jornalistas depois de conhecer a diferença irreversível.
Divergências: Chanceler e ministro da Defesa do Peru renunciam após divergência sobre compra de caças F-16 dos EUA
O segundo turno presidencial entre os dois candidatos ideologicamente opostos está previsto para 7 de junho.
A probabilidade de que López Aliaga reverta sua derrota recorrendo ao tribunal eleitoral foi descartada.
— O Júri Nacional de Eleições já não pode fazer nada, não há nada a resolver na porcentagem que já aponta os dois primeiros colocados — disse à AFP o cientista político Fernando Tuesta.
Problemas na distribuição de cédulas: Peru prende responsável por organização das eleições após falhas logísticas
Esta será a quarta vez que Keiko Fujimori, de 50 anos, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, tentará vencer a presidência de seu país, enquanto para Sánchez, de 57 anos, trata-se de sua primeira candidatura.
Acusação de fraude eleitoral
O Ministério Público do Peru pediu cinco anos e quatro meses de prisão para Sánchez por supostos crimes de "falsa declaração em procedimento administrativo e falsificação de informações sobre contribuições e receitas" de campanha entre 2018 e 2020.
Segundo a acusação, foram identificadas inconsistências nos relatórios financeiros do partido Juntos pelo Peru em campanhas eleitorais. Parte dos recursos, de acordo com a Promotoria, teria sido depositada na conta do irmão do candidato, que atuava na estrutura da legenda, e uma parcela dos valores teria sido direcionada a contas pessoais do próprio político.
Relembre: Candidato de extrema direita à presidência do Peru propõe expulsar venezuelanos do país em debate eleitoral
O MP também aponta que Sánchez teria recebido mais de US$ 57 mil (cerca de R$ 285,8 mil) em contribuições não declaradas ao órgão eleitoral. Além disso, o candidato declarou, em 2020, uma doação em espécie de cerca de 27 mil soles (aproximadamente R$ 39,5 mil), mas o suposto doador negou ter feito o aporte.
Segundo informações do jornal peruano La República, a Promotoria também pediu que Sánchez seja inabilitado para exercer o cargo de presidente do partido. O caso será analisado em uma audiência marcada para 27 de maio, quando a Justiça decidirá se o processo seguirá para julgamento oral.
Leia mais: Chefe da autoridade eleitoral do Peru renuncia após irregularidades nas eleições
Em suas redes sociais, Sánchez negou as acusações, afirmando que não houve apropriação indevida de recursos.
"Durante anos tentaram sustentar uma mentira para me desacreditar politicamente. A Justiça já arquivou as acusações sobre um suposto uso pessoal de recursos econômicos do partido, porque jamais existiu fraude nem apropriação indevida", afirmou.
A defesa do candidato afirma que as acusações se referem à apresentação de relatórios financeiros elaborados pelo tesoureiro do partido, responsável por prestar contas à autoridade eleitoral. Segundo o advogado, Sánchez já havia sido investigado por suspeitas semelhantes, mas o caso foi arquivado.
(Com AFP)
