Câncer de testículo: 4,1 mil brasileiros morreram na última década; saiba os sintomas

 

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O Brasil registrou cerca de 4,1 mil mortes decorrentes de câncer do testículo na última década, mostra um novo levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) baseado em dados do Ministério da Saúde. Os números mostram ainda que 17 mil cirurgias para remoção do testículo devido à doença foram realizadas entre 2016 e 2025.

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Segundo a SBU, o câncer de testículo representa 5% dos tumores urológicos e acomete principalmente homens jovens em idade reprodutiva. Ao todo, 61% das mortes registradas ao longo da última década ocorreram entre 20 e 39 anos. Para reforçar a importância do diagnóstico precoce, que eleva significativamente as chances de cura, a entidade médica promove, neste mês, a campanha Abril Lilás.

"O câncer de testículo não deve ser um tabu. O autoconhecimento é a nossa ferramenta mais poderosa contra esse tumor. Orientamos que o homem aproveite o momento do banho para apalpar os testículos e, ao notar qualquer alteração, procure um urologista para avaliação. Quando detectado em estágios iniciais, o índice de cura desse câncer é altíssimo, superando os 95%”, diz Roni de Carvalho Fernandes, presidente da SBU, em nota.

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O alerta não é à toa: um levantamento do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) mostrou que cerca de 60% dos pacientes com câncer de testículo no país já iniciam o tratamento em estágio avançado. Esse atraso leva a uma maior necessidade de quimioterapia e terapias mais agressivas, com menores chances de cura.

De acordo com os urologistas, um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença é a criptorquidia, quadro em que o testículo não desce para a bolsa escrotal durante a infância. Outros fatores incluem histórico familiar do diagnóstico e exposição a determinados produtos químicos.

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Quais os sintomas?

A SBU explica que o sinal mais comum do câncer de testículo é o surgimento de um nódulo, como um caroço, duro e geralmente indolor no órgão. Por isso, o autoexame é uma ferramenta importante para a detecção precoce.

Ele pode ser feito em pé, durante o banho morno ou em frente ao espelho, com a palpação cuidadosa dos testículos e a comparação de um com o outro em busca de possíveis alterações, como a presença do nódulo ou mudança de tamanho.

Outros sintomas da doença incluem:

Aumento do volume ou alteração na consistência do testículo;

Sensação de "peso" na bolsa escrotal;

Dor na região do baixo ventre e

Crescimento ou sensibilidade mamária (em casos raros, devido à secreção hormonal do tumor).

Caso haja suspeita, é importante procurar um médico para avaliar o caso. O diagnóstico é realizado por meio de exame físico, ultrassonografia da bolsa escrotal e exames de sangue.

“Precisamos ampliar a informação e alcançar principalmente os homens jovens, incentivando o autoexame e a busca precoce por avaliação médica diante de qualquer alteração. Infelizmente o câncer de testículo não é evitável, mas podemos ter iniciativas para propiciar diagnóstico precoce, tratamento eficiente e, assim, reduzir a mortalidade", defende Karin Anzolch, diretora de Comunicação da SBU.

O tratamento padrão inicial é a remoção cirúrgica do testículo alterado, chamada de orquiectomia. Porém, em alguns casos, pode ser indicado também quimioterapia, radioterapia ou linfadenectomia (remoção de gânglios linfáticos abdominais).

A SBU explica que a retirada de um testículo, assim como a quimioterapia, a radioterapia e outros tratamentos, pode impactar a produção de espermatozoides. Além disso, em alguns casos, a capacidade reprodutiva do indivíduo pode já estar comprometida antes mesmo do tratamento por causa do tumor.

“Diante disso, é fundamental que, antes mesmo do início de qualquer tratamento, seja oferecida a possibilidade de criopreservação de sêmen, medida que pode garantir a vida reprodutiva futura, principalmente para aqueles sem prole constituída”, diz Roberto Dias Machado, supervisor da Disciplina de Câncer de Testículo da SBU.