Câncer de pulmão: estudo inédito fará rastreamento no SUS

 

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Um novo estudo, feito de forma inédita, acompanhará por dois anos o rastreamento de câncer no pulmão feito no município de Rio de Janeiro. A pesquisa guiará novas diretrizes nacionais para a detecção da doença. O anúncio foi realizado na manhã desta quarta-feira (1).

Ele será encabeçado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e a farmacêutica AstraZeneca.

— O Inca quer que, a partir de um projeto piloto, nós possamos ampliar. Estamos trabalhando para produzir evidências que possam ser replicadas em outros estados do Brasil — afirma Roberto Gil, diretor do Inca.

Serão analisados ao menos 397 participantes com histórico de tabagismo. O recrutamento contará com pessoas cadastradas no SUS em programas para parar de fumar, com idade entre 50 a 80 anos e também deverão ser tabagistas ou ter parado há pelo menos 15 anos.

De acordo com o Atlas da Mortalidade do Inca, o câncer de pulmão é a principal causa de mortalidade por câncer no país.

— Os dados do DataSUS mostram uma descoberta tardia, cerca de 80% das pessoas descobrem no estágio 4, quando não é mais passível de cura — ressalta Danilo Lopes, diretor médico da AstraZeneca.

O Rio de Janeiro foi escolhido para o estudo devido à alta incidência de doença pulmonar granulomatosa, um tipo de inflamação em que o pulmão forma pequenos nódulos de defesa (granulomas) para tentar isolar agentes que não consegue eliminar. Não é uma doença única, mas um padrão que pode ser causado por infecções, como a tuberculose, ou por condições inflamatórias, e costuma ser um empecilho na identificação precoce do câncer de pulmão.

Exame facilitado

O estudo contará com o exame de tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD). Que, como explica Lopes, apresenta uma radiação mais baixa e funciona como uma forma de rastreamento que evita resultados falsos negativos, os quais geram procedimentos desnecessários e complicações.

— Dois estudos, nos EUA e nos Países Baixos, notaram uma mortalidade 20% menor a partir do rastreamento com esse exame. É o tipo de evidência que modela decisões maiores sobre diretrizes nacionais — afirma Arn Migowski, que conduzirá o estudo.

Também será analisado o custeio de todo o processo (rastreio, diagnóstico e tratamento) para a saúde pública.

— Será uma base real para sabermos quanto de investimento deverá ser feito. São condições de comparar e projetar o que é custo-efetivo — aponta o diretor do Inca.

Assim como será monitorada a ansiedade causada pelos laudos falsos positivos nos pacientes.

A linha de cuidado atual vai ser mantida. Com o diagnóstico positivo, os pacientes poderão receber acompanhamento e tratamento no Hospital do Câncer I (HC I), uma das unidades do Inca.

Atualmente, a principal forma de prevenção contra este câncer é não aderir ao tabagismo, e para os fumantes, parar de fumar.

— Vamos trazer para a vida real. Será possível seguir com informações reais e quanto é exequível num país como o nosso, com características como as nossas. É um marco que é testemunhar essas evidências locais para um impacto nacional — conclui Gustavo Prado, da Aliança de Combate ao Câncer de Pulmão.