Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) participam nesta noite do primeiro debate entre candidatos à Presidência da República desde o início da campanha, promovido pela Band.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) decidiram não comparecer e viraram alvo dos participantes.
Cury causou tumulto minutos antes do início do debate, ao comparecer à portaria da emissora e fazer um pronunciamento dizendo que não participaria em protesto pela ausência de Flávio e Lula.
Ele chegou a entrar no carro para deixar o local, mas voltou atrás e se dirigiu ao estúdio faltando apenas 20 minutos para o início do embate.
Um dos principais motivos da mágoa foi Lula ter divulgado que estaria em entrevista às 20h30, no mesmo horário do debate, na TV Record.
"Isso é um teatro, não é democracia”, disse.
Na chegada, Caiado disse que Lula e Flávio “querem manter a eleição naquela polarização burra” porque se beneficiam dela.
Renan Santos ironizou a ausência dos dois, exibindo aos jornalistas duas fraldas geriátricas, com o nome de um e de outro, e disse que nem se lembrava que Zema iria ao debate.
Já na transmissão, o candidato do Missão afirmou que faltou "coragem" aos dois rivais para irem ao debate, porque teriam que dar explicações sobre "os crimes que cometeram".
Santos se dirigiu aos púlpitos vazios de Flávio e Lula para dizer que ambos “não têm coragem de falar com o povo brasileiro”.
No primeiro bloco, os três candidatos discutiram temas como educação, segurança pública e desigualdade.
"Lula da Silva, você tinha que estar aqui para responder sobre o caos que está a educação", disse Cury, que também acusou o governo atual de ser "extremamente assistencialista" e declarou que o programa Bolsa Família é importante, mas precisa de ajustes.
Sobre as propostas, Renan Santos declarou que pretende declarar Estado de Defesa e Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em alguns Estados que diz estarem comandados pelo crime organizado.
Além disso, declarou que irá adotar também intervenção federal no Ceará e em outros Estados do Nordeste em que há “governos desse cara aqui [apontando para o púlpito do Lula]”, e voltou a falar na construção de “superpresídios".
Caiado foi perguntado sobre as propostas para diminuir a atual taxa de juros no país e atrelou à redução a um governo “com autoridade”, dizendo que, se eleito, irá buscar “uma inflação em torno de 3% ou 4%”.
O candidato do PSD também respondeu à fala de Cury de que pretende convidá-lo para assumir o futuro Ministério da Segurança Pública, para ser o "xerife do governo", e respondeu que recusaria porque estará no cargo de presidente.
Ambos convergiram em temas como o combate à violência contra a mulher.
Cury 'assombrado' com 'nível de agressividade' de Renan Santos
Santos, que priorizou os ataques a Lula e interagiu com o púlpito vazio do presidente para ressaltar sua ausência, ouviu Cury dizer que fica assombrado com seu "nível de agressividade" do adversário.
"Estamos numa democracia e a beleza dela está na divergência.
Você pode criticar as ideias, mas não a pessoa", disse o escritor.
O candidato Romeu Zema (Novo), que inicialmente compareceria, divulgou nota na manhã deste domingo anunciando que desistiu de participar.
Alegou que a data tinha sido adiada em uma semana a pretexto de facilitar a participação de Lula, mas, com a ausência dele e de outros concorrentes, "a alteração de data perdeu o seu propósito inicial".
O influenciador Pablo Marçal (PRTB), que foi inscrito de última hora como candidato, embora esteja inelegível, chegou a tentar viabilizar sua participação no debate deste domingo.
No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, na quinta-feira (20), que ele fique impedido de ter acesso aos fundos eleitoral e partidário e de participar de debates e do programa eleitoral no rádio e na TV.
O registro da candidatura ainda será julgado, mas a tendência é que seja negado, em razão de não preencher os requisitos.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (21), Lula e Flávio permanecem na liderança da corrida ao Palácio do Planalto.
O candidato do PT tem 39% no primeiro turno, enquanto o do PL marca 33%.
Em eventual segundo turno entre eles, Lula registra 47%, ante 43% do adversário.
A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos.
Completam o cenário de primeiro turno: Caiado, com 5%, Renan, com 4%, Zema, com 3%, e Cury, com 2%.
Outros postulantes marcaram 1% ou não pontuaram.
Votos em branco e nulos totalizam 6%, e indecisos são 4%.
Marçal, que está inelegível, mas teve o nome testado em outro cenário, atingiu 2%.
'Canalhas' e 'covardes': ataques a Lula e Flávio marcam primeiro debate presidencial
Fonte:
