Canadenses criam petição para expulsar embaixador americano do país - QTU Questões do Universo

Canadenses criam petição para expulsar embaixador americano do país

Fonte: Bandeira da fonte

Depois de boicotar produtos americanos e evitar férias ao sul da fronteira, os canadenses estão canalizando sua raiva intensa contra os Estados Unidos para uma nova causa: a destituição do embaixador americano.
Mais de 200 mil pessoas assinaram uma petição ao Parlamento canadense, apresentada por um residente de Calgary em 21 de julho, pedindo a destituição do embaixador Pete Hoekstra.
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A petição afirma que Hoekstra, um fiel porta-voz da postura agressiva do presidente Donald Trump em relação ao Canadá, prejudicou as relações entre os dois países.
Ambos estão envolvidos em uma guerra comercial, e seu relacionamento, que já foi o mais próximo possível entre duas nações, está em um nível historicamente baixo desde que Trump reassumiu o cargo.
São necessárias apenas 500 assinaturas por lei para levar uma petição online ao plenário do Parlamento para discussão, e esta provavelmente será apresentada para debate no outono (primavera no Hemisfério Sul, a partir de setembro) por Elizabeth May, líder do Partido Verde do Canadá.
A petição apresenta os motivos para a destituição de Hoekstra: argumenta que ele "normalizou as ameaças do governo Trump de anexar o Canadá como o 51º estado".
Hoekstra republicou as declarações de Trump sobre o 51º estado nas redes sociais e descartou a raiva dos canadenses em relação à retórica como "emocional" e inexplicável.
O documento também afirma que Hoekstra interferiu na política canadense de uma maneira “incompatível com o protocolo diplomático”.
Descreve como ativistas de Alberta, buscando a separação do resto do país, se reuniram repetidamente com funcionários do Departamento de Estado, “levantando sérias questões sobre a interferência diplomática dos EUA na unidade canadense”.
A petição solicita ao governo canadense que invoque a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, o acordo internacional que rege a diplomacia, declare Hoekstra "persona non grata" e solicite sua destituição do cargo, bem como que crie uma comissão parlamentar para analisar a "interferência diplomática dos EUA nos assuntos internos do Canadá".
A Embaixada dos Estados Unidos em Ottawa encaminhou as perguntas ao Departamento de Estado, que não respondeu ao pedido de comentário.
A petição culmina meses de crescente descontentamento público em relação a Hoekstra pessoalmente, refletindo a queda vertiginosa da popularidade dos Estados Unidos em geral.
As pesquisas mostram que a opinião dos canadenses sobre os Estados Unidos piorou rapidamente desde que Trump assumiu o cargo e começou a impor tarifas ao Canadá e a falar em anexação ao país.
Uma pesquisa do Pew Research Center, publicada em junho, constatou que apenas 35% dos canadenses agora consideram os Estados Unidos um parceiro confiável, uma queda acentuada em relação a 2022, quando esse número era de 82%.
As viagens de lazer de canadenses aos Estados Unidos diminuíram em mais de um quarto no último ano.
Nesse contexto, Hoekstra, ex-representante republicano de Michigan, tornou-se notório no Canadá por seu tom direto e sem rodeios, que lembra o de Trump.
Um comentário que gerou indignação ocorreu em novembro, quando Hoekstra foi questionado se entendia por que os canadenses consideraram perturbadoras as declarações de Trump sobre o 51º estado.
"Aqui, só vou me meter em encrenca", disse ele.
"Viajo pelo país e as pessoas dizem: 'Pete, você simplesmente não entende por que estamos tão irritados com o 51º estado'.
É, você tem razão.
Eu não entendo."
Ao contrário de alguns de seus colegas, Hoekstra nunca foi convocado pelo governo canadense, uma medida tomada quando um emissário diplomático é considerado como tendo extrapolado tantos limites que o governo anfitrião precisa dar-lhe uma bronca.
O embaixador dos Estados Unidos na França, Charles Kushner, pai do genro de Trump, Jared, foi convocado duas vezes pelo governo francês por comentários que fez sobre assuntos internos da França.
O embaixador dos EUA na Bélgica também foi convocado por comentários que fez.
Hoekstra também causou surpresa ao convidar a ativista populista de direita Tamara Lich — que havia sido condenada por organizar o comboio de caminhoneiros que causou estragos em Ottawa durante um mês em 2022 — para a festa de 4 de julho deste ano na residência oficial do embaixador.
Hoekstra foi acusado de interferência política nos assuntos internos de outra nação.
Em 2020, enquanto atuava como embaixador dos EUA na Holanda durante o primeiro mandato de Trump, ele organizou um evento na embaixada americana com um partido holandês nativista e anti-imigração.
Expulsar um embaixador dos EUA seria inédito no Canadá, mas está longe de ser algo sem precedentes no mundo.
Embaixadores americanos já foram expulsos durante grandes crises geopolíticas no passado, incluindo durante a Guerra Fria, as duas Guerras Mundiais, bem como mais recentemente durante crises com países latino-americanos como a Venezuela.
A posição de Hoekstra no Canadá está alinhada com a política externa do governo americano em outras regiões.
O Departamento de Estado tem feito esforços significativos para cultivar e promover políticas identitárias na Europa por meio de visitas e reuniões de altos funcionários com partidos políticos europeus e outras organizações que compartilham essas ideias, inclusive na Alemanha e na Grã-Bretanha.