Campeão por Flu e Fla, Tuta destaca melhora na estrutura dos clubes de sua época para cá: 'Fica mais fácil jogar hoje'

 

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Aos 52 anos, Tuta se divide entre a criação das três filhas sem abrir mão de sua atividade física. Mesmo após parar de jogar em 2016, o ex-atacante mantém a forma com um futebol semanal e uma rotina de ciclismo na Barra da Tijuca. Quando é reconhecido na rua, os tempos de Flamengo e Fluminense são sempre lembrados. Afinal, Tuta foi campeão carioca pelo rubro-negro em 2000 e pelo tricolor em 2005. Além disso, é o maior artilheiro do século XXI no clássico, com sete gols.

Quais as melhores lembranças dos Fla-Flus?

A rivalidade sempre foi muito acirrada. É um dos clássicos mais emocionantes. Joguei outros pelo Brasil, em Curitiba, São Paulo. Esse era diferente, era no Maracanã, templo do futebol...

Hoje o debate é sobre atacantes que precisam de mobilidade. Você já tinha, não é?

Eu sempre gostei de treinar, me cobrava muito. Se ficasse lá paradão não conseguia fazer gol. Ia no meio, dava a bola, voltava. Dava passe, assistência... Não era centroavante fominha, não. Por eu ser grande, achavam que eu só fazia gol de cabeça. Mas tenho mais gols de perna esquerda. E sou destro. Trombador, que nada. Dava caneta e tudo. Hoje o futebol está mais dinâmico. Pela força, hoje em dia, acho que eu jogava. Eu era muito veloz. Ganhava na corrida. Tenho um gol de cavadinha pelo Coritiba, em cima do Júlio César.

O que acha do Pedro no Fla?

Ele está voltando a ser o Pedro. Com a qualidade de jogadores em volta, ele estava demais, mas machucou. Agora está recuperando. O faro é nato dele, mas a condição física acabou perdendo.

E dos atacantes do Flu?

Eu gosto muito do John Kennedy. O Castillo é matador, mas está se adaptando.

Sua passagem pelo Flu foi mais marcante. Mas como é sua relação com o Flamengo hoje em dia?

Os torcedores do Flamengo ainda me reconhecem. Os mais velhos lembram: “Gostava de você quando jogava no Flamengo”. O clube, na minha época, em 2000, não tinha essa organização. Fica mais fácil jogar hoje.

Como era o dia a dia na Gávea naquela época?

A gente concentrava em hotel que não era bom, a musculação era na sede da Gávea. Não tinha CT. Hoje os caras têm quarto, comem bem, têm de tudo. Não treinam mais dois períodos. Lembro que fazíamos três treinos por dia. Íamos correr na Lagoa. Tinha tempo para dar a volta toda.

Tuta com a camisa do Flamengo

Ivo Gonzalez

Depois do Fla, você passou pela Coreia do Sul e Coritiba. Como surgiu o Fluminense?

O saudoso Celso Barros me ligou, eu perguntei: quem vai me pagar? Ele disse: “Eu”. Tinha uma fama ruim no clube. Mas ele era patrocinador, me levou. O falecido Mario Sérgio me queria no Grêmio também. Naquela época, a patrocinadora do Flu era mais forte. Tanto que o Flamengo foi ganhar em 2009. Mas o Fluminense já tinha outra estrutura.

Tuta em passagem pelo Fluminense

Alexandre Cassiano

E hoje, como avalia a estrutura do tricolor?

Hoje o CT é pertinho da minha casa. Daria para ir treinar de bicicleta (risos). Fui lá falar com os jogadores já. Falei pro JK que é a hora dele.