Campeão da Copa do Mundo pela França desabafa após aposentadoria: 'Não gosto de nada da minha vida'

 

Fonte:


Campeão do mundo pela França em 2018 e ídolo do Olympique de Marselha, o ex-goleiro Steve Mandanda revelou sofrer com problemas de saúde mental após sua aposentadoria do futebol no ano passado.

Em um livro chamado "Les jours d'après" (Os dias seguintes, em francês), o ex-jogador relatou ter perdido o sentido da vida durante os dias "sem fazer nada". A obra será lançada nesta quarta-feira e teve trechos antecipados pelo jornal francês L'Équipe.

— Nas últimas semanas, quase nada tem tido sabor. É julho, estou sozinho, está calor, a janela está entreaberta, Rennes em pleno verão. Estou oscilando como um pêndulo. Meus dias são intermináveis ​​e vazios. Vazios de energia. Vazios de significado. Não estou bem. Não estou fazendo nada, absolutamente nada. O que estou fazendo da minha vida? Estou desempregado, deitado no meu sofá sem nem saber o que estou esperando, sem saber o que quero. Não quero nada.

A perda da rotina da vida de um jogador foi um duro golpe para Mandanda. O ex-goleiro sentia falta dos jogos, treinos e conversas com companheiros de equipe.

— Afinal, qual é o meu campo de atuação? O sofá? A casa? Andar de um lado para o outro? Do que sou capaz, depois de vinte e cinco anos no mais alto nível? Não tenho agenda, não tenho ritmo, não tenho compromissos, nada. É catastrófico. Não gosto de nada na minha vida agora. Acho que estou infeliz. Ou pelo menos perdido. Estou sem rumo. Não tenho mais meus dois objetivos, nem o jogo à minha frente. Não tenho mais o vestiário, a braçadeira de capitão, os olhares, as palavras, as piadas, os companheiros de equipe, nossos cafés, as conversas em grupo, os treinos — descreve o francês.

— Engordei três ou quatro quilos e isso já não é aceitável. Quando não estou fazendo nada, tendo a comer, a beber refrigerantes. É um verdadeiro ciclo vicioso: saio menos porque não quero que as pessoas me vejam assim. Me isolo. Quando acordo, no espelho, vejo as olheiras. E por aí vai… Passei de vinte e cinco anos de uma vida diária meticulosamente planejada para… nada. Sem horários, sem ritmo. A sensação de vazio é abismal em alguns dias… As semanas são muito parecidas.

Apesar do início difícil, Mandanda relata que, com o passar do tempo, começou a lidar melhor com a nova vida.

— Um ano depois, posso dizer que estou melhor. Sinceramente, acho que processei tudo. Segui em frente, sim. Não sinto mais emoções negativas, não tenho mais aqueles pensamentos estranhos que costumavam me passar pela cabeça… Pat (Patrice Evra) me disse que passou pelas mesmas coisas que eu quando encerrou a carreira, sentiu as mesmas coisas, uma espécie de cópia fiel da minha própria vida. Aquele vazio inicial, aquela sensação de inutilidade, aquela coisa que fica girando em círculos, onde você diz a si mesmo que não está fazendo nada de interessante.

Mandanda se aposentou do futebol pelo Rennes, da França, em setembro de 2025, aos 40 anos. Ele foi reserva da França no título da Copa do Mundo de 2018 e, no total, disputou 35 jogos pela seleção.