As propagandas dos candidatos à Presidência no horário eleitoral gratuito da noite do sábado (5) foram marcadas pela tentativa de reforçar propostas das próprias campanhas e explorar vulnerabilidades dos adversários. O candidato do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro (PL) voltou a concentrar seu programa no custo de vida e no endividamento das famílias, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apostou em propostas para educação e jovens. Ronaldo Caiado (PSD) explorou denúncias de corrupção para atingir os dois principais adversários, e Augusto Cury (Avante) levou sua propaganda a uma comunidade e prometeu incentivar o empreendedorismo nas favelas.
A campanha de Flávio voltou a usar o ambiente de supermercado para falar sobre inflação e endividamento. O candidato percorreu as prateleiras mostrando produtos que tiveram o tamanho das embalagens reduzido e criticando os preços altos. A peça usou a ideia de que a "comida vira prestação" para retratar as dificuldades financeiras das famílias.
Flávio também responsabilizou o governo Lula pelo aumento de impostos e prometeu fazer um "tesouraço" caso seja eleito. A peça na televisão afirmou que o candidato pretende trabalhar para baixar os juros e reduzir as dívidas das famílias. "O governo é um peso que você tá carregando".
O programa trouxe imagens de aliados como a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, o deputado Nikolas Ferreira e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A campanha explorou ataques a Lula e buscou defender Flávio de acusações feitas pelos adversários. A propaganda mostrou, em tom crítico, uma declaração do atual presidente sobre trabalhadores que recolhem lixo e defendeu que "qualquer trabalho é digno".
Já Lula concentrou sua propaganda na educação e em propostas voltadas aos jovens. Sob a mensagem de que "a educação é o maior passaporte que um pai pode dar para um filho", o programa destacou números da área durante o governo petista e apresentou propostas para ampliar as escolas em tempo integral e retomar o Ciência sem Fronteiras, programa de intercâmbios do governo.
A propaganda também destacou as universidades e relacionou os investimentos em educação à preparação dos jovens para setores em crescimento no país, como de tecnologia e de terras raras. Lula prometeu ainda ampliar o Pé-de-Meia para todos os estudantes da rede pública a partir de 2027.
Além disso, a campanha petista buscou reforçar a imagem de Lula como um presidente disposto a enfrentar "poderosos" e o "sistema de privilégios" e citou propostas como o fim da escala 6x1 e a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda.
Já Ronaldo Caiado (PSD) voltou a usar seu espaço para explorar denúncias e questionamentos sobre a reputação dos adversários. O programa abordou casos de corrupção e "rachadinhas" e contrapôs as acusações envolvendo Lula e Flávio à imagem que o candidato busca construir de uma trajetória "sem manchas".
Caiado também levou para a propaganda as denúncias recentes envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), classificadas por ele como "gravíssimas" e "estarrecedoras". A estratégia foi relacionar os problemas nos diferentes Poderes ao que chamou de "banda podre" e cobrar explicações.
O candidato argumentou que a população tem "direito a explicações" sobre as denúncias e afirmou que Lula e Flávio não seriam capazes de fornecê-las porque "eles também têm que se explicar". A peça buscou, assim, colocar Caiado como alternativa aos dois adversários.
Augusto Cury (Avante), por sua vez, apostou em imagens de uma visita a uma comunidade ao som de "Eu Só Quero É Ser Feliz". O candidato afirmou que não estava no local para pedir votos, mas para escutar a população.
Cury aproveitou a passagem pela comunidade para apresentar uma proposta voltada ao empreendedorismo. Ele prometeu criar uma escola de empreendedorismo em todas as favelas, mantendo a estratégia de associar sua candidatura ao diálogo direto com moradores e a propostas de geração de oportunidades.
Lindomar Cruz/Agência Senado
Valor