Campanha de Lula vê efeito Vorcaro em queda de Flavio no Datafolha, mas acredita em retorno de eleitores de direita para senador

Campanha de Lula vê efeito Vorcaro em queda de Flavio no Datafolha, mas acredita em retorno de eleitores de direita para senador

 

Fonte: Bandeira



Mesmo após o presidente Luiz Inácio Lula Silva abrir quatro pontos de vantagem para Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma semana, segundo pesquisa Datafolha, a pré-campanha petista vê com cautela a redução de intenção de votos no senador e acredita que parte os eleitores que agora estão impactados pelas revelações da relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro ainda podem retornar ao senador até o fim da disputa presidencial. 

Até uma semana atrás empatado com Lula na simulação de segundo turno, Flavio marca agora 43%, contra 47% do petista. Na semana passada, o Datafolha divulgou um levantamento depois da revelação das conversas entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, mas as entrevistas em si haviam sido realizadas antes do escândalo. Nela, os dois pré-candidatos apareciam com 45% cada.

Dentro do comando da pré-campanha de Lula, a avaliação é que o voto que sai de Flavio nesse momento não vai para nenhum lugar e ficará um tempo na margem dos indecisos. É também um voto que até a eleição poderá virar abstenção.

Petistas estão convictos de que é preciso mais trabalho para conquistar um eleitor que cogitou votar em Flavio e agora recua. Na avaliação da campanha, trata-se de um voto naturalmente "anti-lula" e que não terá adesão automática ao petista. 

Por isso, governistas consideram que o senador pode retomar o fôlego nas próximas semanas, conquistar parte desse eleitorado, a depender da narrativa que for construída sobre a relações com o Daniel Vorcaro ou mesmo do filme "Dark Horse", bancado com dinheiro do dono do Banco Master.

Ainda que o caso da cinebiografia de Jair Bolsonaro tenha ampliado a rejeição a Flávio, de 43% para 46%, o contingente de eleitores que afirmam não votar em Lula ainda assusta a campanha petista. Lula é rejeitado por 45%; há uma semana era 47%.

O governo tem lançado mão de um pacote de bondade que mira as eleições: isenção da taxa das blusinhas, crédito para compra de veículos para taxistas e motoristas de aplicativo e o novo Desenrola 2.0 para famílias endividadas. Lula ainda mantém uma intensa agenda de entregas de equipamentos de saúde e inaugurações pelo país. 

Para a campanha, pesou também para a queda de Flavio o fato de o eleitor facilmente conseguir identificar que o senador mentiu sobre sua relação com Vorcaro.

Desde que o escândalo do Master surgiu, Flávio e a oposição tentam colar o caso ao governo Lula. No início de maio, o senador chegou a usar uma camiseta em um evento em Santa Catarina ligando o presidente ao banqueiro. Logo depois, foi personagem principal de áudios, nos quais pedia dinheiro para financiar um filme sobre a história do pai.  

A conduta de Flavio deu brecha para o PT tentar colar a pecha de "mentiroso" no senador. Aliados de Lula entendem que a mudança de versões do senador sobre seu contato com Vorcaro enfraquece sua candidatura e tem dado gás para ataques nas redes sociais.

O círculo mais próximo de Lula não esperava um grande solavanco de Flávio na primeira pesquisa após o caso Dark Horse, mas já vê efeitos na forte artilharia digital montada pelo PT para atacar Flávio Bolsonaro.

Desde a divulgação do áudio de conversas entre o senador e o banqueiro, o PT entrou em modo guerra digital contra o senador. A artilharia vem sendo coordenada por Nicole Briones da sede nacional do partido em Brasília. A jornalista foi responsável pelas redes socias de Lula enquanto o petista esteve preso em Curitiba durante a operação Lava-Jato.