Campanha de Lula monitora possível encontro entre Flávio e Trump e traça estratégias para explorar ida de senador aos EUA
A pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem monitorando a possibilidade de encontro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O senador embarcou na noite de domingo para tentar uma agenda com o americano em meio ao desgaste provocado pela crise envolvendo a troca de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro. A tentativa de uma conversa com o republicano ocorre três semanas após Lula ser recebido por Trump na Casa Branca, em um encontro que durou três horas.
Para a pré-campanha petista, ainda é imprevisível o objetivo de Flávio em um encontro com Trump. Os integrantes do grupo, porém, afirmam que um cálculo mais esperado do senador é tentar desviar o foco da sua relação com Vorcaro. Áudios revelados há duas semanas mostram o senador pedindo dinheiro para o banqueiro para financiar um filme sobre o pai, Jair Bolsonaro. Na sequência, também veio à tona uma visita de Flávio a Vorcaro, quando banqueiro já cumpria prisão domiciliar em São Paulo.
Nos cenários previstos pelos aliados de Lula, a hipótese de Trump declarar apoio a Flávio é vista como positiva para a campanha petista, já que pesquisas indicam a impopularidade do presidente americano no Brasil — a pesquisa Quaest mais recente mostra que 48% dos eleitores têm imagem negativa dos EUA. Lula, por exemplo, não deixou de fazer críticas a Trump mesmo tendo estreitado sua relação com o chefe da Casa Branca.
Já a possibilidade de o líder americano anunciar alguma medida contrária ao Brasil, seria ainda melhor politicamente para Lula, o que reforçaria o discurso de soberania adotado pelo governo e daria o argumento ao presidente de que seu principal adversário trabalha contra o país. Se Flavio não for recebido por Trump, por sua vez, seria explorada a falta de prestígio do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ministros de Lula que acompanharam o encontro do presidente com Trump na Casa Branca, afirmam que não se tratou da família Bolsonaro durante a agenda. Desde a reunião em Washington, auxiliares de Lula têm mantido contato com seus contrapartes do governo americano, e um dos temas é a discussão das tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
