Campanha de Lula faz guia para militância buscar indecisos e cita fim das bets e liberdade religiosa

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mira o fim das bets no país e a liberdade religiosa como ativo eleitoral para conquistar indecisos às vésperas do primeiro turno. Uma cartilha elaborada pela equipe do petista que está sendo distribuída pela militância nas redes sociais estratifica o eleitor que ainda não escolheu em quem votar e traça estratégias específicas para cada grupo, organizando os argumentos de acordo com o perfil do eleitor. O manual recomenda que os apoiadores evitem discursos genéricos para concentrar a conversa em temas ligados ao cotidiano. Entre as bandeiras destacadas estão o fim das bets, o fim da escala 6x1, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a liberdade religiosa. A cartilha mira especialmente jovens, mães de família, trabalhadores autônomos, trabalhadores com carteira assinada e mulheres em busca de crescimento profissional.

O texto estimula a comparação entre as conquistas do presidente e a gestão de seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), e um embate mais incisivo com Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do petista, além de apontar para o debate de propostas na seara econômica que dialogam com o dia a dia das pessoas.

O texto defende uma “conversa pé no chão” com esses eleitores indeciso e fala que o que está em jogo na reta final são os “avanços de Lula”, como “comida barata, salário forte e respeito ao povo” contra o “risco” de Flávio: “aperto salarial, privatizações sem projeto e desmonte de direitos”.

Essa não é a primeira cartilha elaborada pela campanha. Como o GLOBO mostrou, a equipe de Lula também divulgou material para atuação nas redes, fazendo frente ao bolsonarismo e incentivando que a militância fosse aos supermercados comparar preço de alimentos para rebater Flávio.

O documento lista “pautas que vencem” o debate e devem ser lembradas nas conversas com eleitores indecisos, além de estimular o embate direto com Flávio. Entre elas estão o que classificam como “bandeiras imbatíveis” do governo: a proibição total das bets (“quem deixou esse verdadeiro câncer atacar as famílias foi o Bolsonaro”); o fim da escala de trabalho 6x1 (“Flávio Bolsonaro é contra essa mudança que vai ajudar tanta gente”) e defesa da soberania (“Enquanto Flávio Bolsonaro defende privatizar serviços essenciais e entregar nossas riquezas estatais sem plano para o povo, Lula defende nossas empresas estratégicas para garantir energia, combustível e desenvolvimento com preço justo pra gente”). Levantamentos internos da campanha mostram que há endosso predominante da população sobre o fim das bets, com referências a novos apoio a Lula e ao reforço no voto após o anúncio, enquanto as críticas são majoritariamente voltadas a acusações de medida eleitoreira e de apontamentos de porque esses jogos não foram banidos antes. Ao tratar do banimento das apostas online, o governo tenta atrair especialmente o voto feminino e de mães chefe de família, principalmente as mulheres que moram na região Sudeste.

A cartilha também lista propostas que tratam da proteção e autonomia das mulheres e do “respeito à fé de todo o povo brasileiro”, num momento de desgaste de Flávio diante da crise com a padroeira de Nossa Senhora Aparecida. O caso foi impulsionado nas redes sociais após um debate sobre um projeto de lei arquivado há quase 20 anos que tinha o objetivo de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

Nesse ponto, o documento fala que o combate à fome, o cuidado com os mais pobres e a promoção da paz são princípios do Evangelho “que sempre guiaram a trajetória” de Lula, afirma que foi o presidente quem sancionou a Lei da Liberdade Religiosa e que foi no mandato do petista que foi aprovada norma que torna crime inafiançável “o impedimento de cultos e o ataque a templos, igrejas ou qualquer espaço de fé”.

Passo a passo Para cada grupo em foco, o manual identifica uma “dor” e indica quais temas devem ser usados pelos militantes para tentar conquistar o voto. Para o que chama de “jovem que está no corre”, a orientação é explorar o cansaço, a ansiedade com o futuro e a falta de perspectiva de lazer. Nesse caso, os argumentos sugeridos são o fim da escala 6x1, o Pé-de-Meia, o combate às bets e o aumento do teto de faturamento do MEI para R$ 140 mil. O material apresenta o fim das apostas como uma forma de impedir que o dinheiro dos jovens seja “sugado” por plataformas digitais. Para as mães de família, a campanha recomenda abordar o custo de vida, o endividamento e a segurança dos filhos. O guia lista como argumentos o imposto zero sobre a cesta básica, o Minha Casa Minha Vida com a titularidade do imóvel em nome da mulher e os programas Bolsa Família e Gás do Povo. O trabalhador autônomo também aparece como um público prioritário. O documento o descreve como operário, motorista, entregador, prestador de serviço ou pequeno comerciante e aponta como principais preocupações o salário insuficiente e o endividamento. Para esse grupo, a campanha orienta os militantes a mencionar o aumento real do salário mínimo, o Desenrola Brasil, o fim das bets e a proposta de elevar o teto do Microempreendedor Individual (MEI) para R$ 140 mil. Entre os trabalhadores com carteira assinada, o foco muda para a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e para a chamada “justiça fiscal”, com taxação de super-ricos. O manual também orienta a associar Lula à estabilidade econômica e a apresentar Flávio como defensor da “entrega de empresas estratégicas e da manutenção de privilégios para bilionários enquanto o trabalhador paga a conta”. Para mulheres com formação e inseridas no mercado formal, a campanha recomenda abordar desigualdade salarial, machismo e violência contra a mulher. Entre as bandeiras estão a Lei da Igualdade Salarial, o endurecimento do combate ao feminicídio e a ampliação da presença feminina em cargos de decisão. Nesse ponto, a cartilha diz que é preciso resgatar “declarações agressivas contra as mulheres” da família Bolsonaro e seus aliados. O material diz que o “eleitor indeciso é prático” e quer saber se “o dinheiro dele vai dar para comprar a feira e pagar o aluguel”. Também há conselhos para conversas rápidas, de dois minutos, com eleitores e indicação para que as conversas ocorram de forma serena e sem briga. A cartilha apresenta também modelo de mensagens prontas para ser encaminhadas ao eleitor indeciso.

Por fim, a cartilha também estimula a militância a ajudar pessoas próximas com a identificação do local de votação, num momento em que a campanha busca diminuir a abstenção no dia da eleição, e a explicar o passo a passo da votação na urna eletrônica.

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